Carta ao Cinform sobre a forma pessoal de crítica ao trabalho de Nino Karva
Por: Henrique Teles | 7 de abril de 2008Carta do Leitor Cinform:
Entre os rios da injúria e do escárnio, que não sei por quais cargas d’águas resolveram transbordar justo no Caderno de Cultura do Cinform, ilhado por alguns instantes permaneceu o amigo Nino Karva. Não, não foi a sua obra fonográfica o alvo da enxurrada de desdizeres – respeitaria, se fosse! – foi a pessoa de Nino. Os rios subiram, mas a tempestade tinha mais trovão que água, felizmente. O artista tem ciência da sua história e bem sabe das esquinas por onde passou. E só ele sabe.
Escrevo essa carta porque decerto me preocupa o embassamento que esses esporros acadêmico-juvenis de cunho pessoal podem trazer para a credibilidade de um jornal, que na área cultural tem um papel de grande ressonância e contribuição para a comunidade.
O rapaz escreve bem – até funde a ferro e fogo mangaba com giló – mas ainda falta substância para chegar na boa alquimia. Não é assim na marra que se junta Chiclete com Banana. Observe Jackson do Pandeiro e Almira Castilho.
A cultura de polemizar, para alguns, nem que seja no vazio, vale pelo ibope. Mas o que mede mesmo o ibope?
Não obstante o anacronismo de se avaliar com nota uma obra artística, Igor teve a triste idéia de escolher um disco – ou terá sido o artista? – lançado a vários anos. Certamente o moleque ainda era menino àquela época, nos induzindo a desconfiar de uma certa falta de noção a respeito do contexto da produção fonográfica no estado quando da gravação do referido álbum e nos dias atuais. É bom que se diga que existem discos mais recentes à disposição.
Acho que vale as perguntas: a gente precisa disso? Precisamos fazer dessa forma? Em que isso contribui para produzimos melhor?
Como parceiro do Cinform em vários projetos, tenho certeza que aquele espaço de meia-página pode fazer muito mais; pode ter muito mais significado para nossa cultura que a injúria e o escárnio contidos na crítica de Igor.
Não estou, entretanto, pedindo a cabeça do rapaz. Espero em breve – quiçá – uma fundamentada e contributiva crítica aos álbuns da Maria Scombona. Ainda que na crítica haja crítica.
“Talvez por ignorância ou maldade das pior” ele não tenha se saído tão bem nessa.
11 de abril de 2008 às 11:44 pm
Sim, acredito que as “vaias” tenham seu valor construtivo. A possível “frustração” ou “ferida narcísica” – se é que cabe aqui chamar assim – causadas pela crítica (seja ela construtiva ou não) sempre impulsionam o crescimento do grande artista. E assim deve ser. Pensar o contrário, seria cravar uma bala no peito da arte e condená-la à inexpressão ou à imobilidade dos cadáveres. Movimento é sempre necessário, seja ele qual for, mesmo sem dar muita ênfase às direções tomadas ou aos destinos possíveis.
O menino certamente galgou alguns degraus, atirando-se de peito tão aberto na direção dos holofotes. Pois bem, como certa vez disse Machado, em Quincas Borba, “aos vencedores, as batatas”! Resta lembrar que “batatas” são perecíveis e que, como sabiamente colocou Demócrito em um de seus dizeres, no fim, acaba ganhando mais aquele que primeiro “perdeu”.
Abraços fraternos