Carta do Leitor Cinform:
Entre os rios da injúria e do escárnio, que não sei por quais cargas d’águas resolveram transbordar justo no Caderno de Cultura do Cinform, ilhado por alguns instantes permaneceu o amigo Nino Karva. Não, não foi a sua obra fonográfica o alvo da enxurrada de desdizeres – respeitaria, se fosse! – foi a pessoa de Nino. Os rios subiram, mas a tempestade tinha mais trovão que água, felizmente. O artista tem ciência da sua história e bem sabe das esquinas por onde passou. E só ele sabe.
Escrevo essa carta porque decerto me preocupa o embassamento que esses esporros acadêmico-juvenis de cunho pessoal podem trazer para a credibilidade de um jornal, que na área cultural tem um papel de grande ressonância e contribuição para a comunidade.
O rapaz escreve bem – até funde a ferro e fogo mangaba com giló – mas ainda falta substância para chegar na boa alquimia. Não é assim na marra que se junta Chiclete com Banana. Observe Jackson do Pandeiro e Almira Castilho.
A cultura de polemizar, para alguns, nem que seja no vazio, vale pelo ibope. Mas o que mede mesmo o ibope?
Não obstante o anacronismo de se avaliar com nota uma obra artística, Igor teve a triste idéia de escolher um disco – ou terá sido o artista? – lançado a vários anos. Certamente o moleque ainda era menino àquela época, nos induzindo a desconfiar de uma certa falta de noção a respeito do contexto da produção fonográfica no estado quando da gravação do referido álbum e nos dias atuais. É bom que se diga que existem discos mais recentes à disposição.
Acho que vale as perguntas: a gente precisa disso? Precisamos fazer dessa forma? Em que isso contribui para produzimos melhor?
Como parceiro do Cinform em vários projetos, tenho certeza que aquele espaço de meia-página pode fazer muito mais; pode ter muito mais significado para nossa cultura que a injúria e o escárnio contidos na crítica de Igor.
Não estou, entretanto, pedindo a cabeça do rapaz. Espero em breve – quiçá – uma fundamentada e contributiva crítica aos álbuns da Maria Scombona. Ainda que na crítica haja crítica.
“Talvez por ignorância ou maldade das pior” ele não tenha se saído tão bem nessa.

Tags: , , ,


Um Comentario em “Carta ao Cinform sobre a forma pessoal de crítica ao trabalho de Nino Karva”

  1. Mirela

    Sim, acredito que as “vaias” tenham seu valor construtivo. A possível “frustração” ou “ferida narcísica” – se é que cabe aqui chamar assim – causadas pela crítica (seja ela construtiva ou não) sempre impulsionam o crescimento do grande artista. E assim deve ser. Pensar o contrário, seria cravar uma bala no peito da arte e condená-la à inexpressão ou à imobilidade dos cadáveres. Movimento é sempre necessário, seja ele qual for, mesmo sem dar muita ênfase às direções tomadas ou aos destinos possíveis.
    O menino certamente galgou alguns degraus, atirando-se de peito tão aberto na direção dos holofotes. Pois bem, como certa vez disse Machado, em Quincas Borba, “aos vencedores, as batatas”! Resta lembrar que “batatas” são perecíveis e que, como sabiamente colocou Demócrito em um de seus dizeres, no fim, acaba ganhando mais aquele que primeiro “perdeu”.

    Abraços fraternos

Deixe seu comentário