Grandes shows: Uma relação construtiva proposta pelo Estado.
Por: Henrique Teles | 2 de maio de 2008Pode até parecer um título de tese de graduação, mas tenho pouco a dizer por hora sobre o assunto, deixando para desenvolver, se houver necessidade, adiante.
Falo da contratação de artistas de nome nacional para eventos pagos com o dinheiro público.
Acontece que, sem a atitude de estabelecer caminhos diferentes, permaneceremos no que já se faz a muito tempo por todos os lugares: o grande artista cumpre seu papel e nos brinda com um – quase sempre – grande show, cata seu – quase sempre – grande cachê e vai-se deixando-nos despencar no abismo técnico em que vivemos.
Sempre disse que Sergipe é uma ilha. A teia produtiva – como chamo – que se relaciona e dá suporte ao mercado da música em nosso estado ainda não amarrou os nós necessários para podermos dizer que produzimos tão bem quanto outros centros do país. Já existem inúmeros profissionais de boa qualidade e, principalmente, com grande interesse em crescer e ampliar o seu universo de informações e tecnologias para atuar na área. Cursos de graduação, cursos técnicos, workshops, pesquisas independentes, estão acontecendo por aí. E o Estado pode interferir positivamente nisto? Pode.
Quem paga aos músicos e técnicos dos grandes shows? O dinheiro é nosso, é dinheiro sergipano que está saindo, quando muita informação poderia estar ficando conosco – para valer mais ainda o dinheiro pago.
(Falei que não iria me alongar.)
Não vejo porquê para o Estado não incluir nos contratos fechados com os grandes artistas e bandas cláusulas contratuais que prevejam a realização de Palestras, mini-cursos, oficinas, mesas redondas, com artistas e técnicos, oferecendo a oportunidade da comunidade da música de sergipe troque informações e cresça profissionalmente no que faz.
Estou certo disto. É uma mudança que pede um pouco de ousadia, mas que os resultados são promissores.
Aí vem o Forró Caju, aí vem o Reveillon, Carnaval, Projeto Verão, aniversário da cidade e inúmeras datas e eventos com grandes shows. Quem sabe teremos a oportunidade de inscrições abertas para debates, palestras, workshops sobre instrumentos, composição, iluminação, sonorização, cenário, assessoria de imprensa, coreografia, enfim, uma enorme gama de profissões.
E outra – pra terminar: não pensem que bons profissionais estão em áreas restritas da música, não. O Forró elétrico, o axé e outras baboseiras musicais contam muitas vezes com excelentes músicos e técnicos que podem trazer boas informações. É bom separar bem as coisas.
15 de maio de 2008 às 11:08 am
Henrique é um sábio, pois sabe dividir seus conhecimentos, seus pensamentos e seus projetos. É receptivo e acredita que alguém sempre tem algo para ensinar e aprender. Um ’simpático-conversador’, sim, um bom Comunicador Cultural e todos ao seu lado também o são. Suas experiências e experimentos sócio-culturais demonstram a possibilidade de trazer o popular ao seu lugar de fato, público, em debate e transformação. E não somente dentro das cabeças intelectualóides. Pensemos e compartilhemos! Um beijo saudoso ao Henrique e aos queridos da Scombona. Com carinho. Carla Rabelo.
14 de maio de 2009 às 11:34 am
Ainda não tinha lido lido este post quando fiz o comentário a respeito da capacitação da nossa cadeia produtiva. Compartilho plenamente com isso. É hora de trazer referências, ampliar os conhecimentos e inserir de fato nossa produção na rota cultural do país. É válido convidar os órgãos de cultura para este debate. Porque não formar o “SINTESE” da cultura?
14 de maio de 2009 às 11:35 am
Ainda não tinha lido lido este post quando fiz o comentário a respeito da capacitação da nossa cadeia produtiva. Compartilho plenamente com isso. É hora de trazer referências, ampliar os conhecimentos e inserir de fato nossa produção na rota cultural do país. É válido convidar os órgãos de cultura para este debate. Por que não formar o “SINTESE” da cultura?