Nada disso que passou por sua cabeça agora, se você foi – ou teve um amigo artista – alvo de agressões gratuitas . Atente a tudo! Entenda a pressa do presente e a busca do tolo por um lugar ao sol pelo caminho mais curto. Para isso, ele é preciso e é preciso pisar em algumas cabeças.
Procura-se mesmo é por um crítico musical que visite a alma do artista para entender sua obra; saiba sua história, suas quinas e cabeçadas na vida; conheça suas esquinas, quadras, ruas, bairros, cidades; saiba ler a sua idade – musical; perceba suas dores, perfumes, odores; entenda o movimento da moda na roda do tempo e do espaço; um crítico que possa posar nu também; que dê-nos sua alma à leitura.
Procura-se um crítico de palavras agridoces, que use o ácido da sua saliva para descascar nossos escudos e melindres e desça não às chagas, mas às suas nascentes, porque perebas são só o que se vê, mas não só o que se sente. Desconjunta-nos, crítico, sem receio e com a melhor das intenções. O artista é sensível o suficiente e necessário para ler o que queres de nós. Dá-nos a dor das suas impressões, mas também o bálsamo da sua esperança. Porque por onde esta não anda, tudo é cinza; e por onde pisa, faz-se côr sua pegada.
Procura-se aflitamente um crítico musical, que nos sopre com o hálito da palavra, não com o bafo do berro e do escárnio – precisamos de novos ventos.
Para o nosso bem, precisamos da desconfortável presença de alguém que seja ao menos a pedra no caminho, que nos fará tropeçar e ir adiante, mas que queira nos ver de pé.
Tags: crítica musical, igor, karva
18 de maio de 2008 às 11:14 pm
Daqui a 10 anos o crítico ‘Andy Warhol’ de SE vai ler tudo que escreveu e se perguntar: ‘onde eu estava com a cabeça para escrever tão debochadamente sobre tanta gente, me expondo tanto?’.
19 de maio de 2008 às 2:07 pm
Parece uma oração, Teles, e uma oração necessária no momento.
Vinnas: não entendi a comparação com Andy Warhol, se for pelo minuto de fama ele já venceu: são várias semanas no ar e ainda vai dar muito caldo, já que a “base crítica” é qualquer disco de qualquer época, basta ser sergipano e ter defeitos…
19 de maio de 2008 às 9:09 pm
Um sacramento! Incrível, Henrique.
De palavras agridoces à esperança balsâmica..!..Um retrato da necessidade de exalar (sua essência) ao redor do universo regional, e agregar tudo que se define (e que poucos chamam de) música. . .
20 de maio de 2008 às 8:30 am
Artistas não precisam de críticos musicais, pelo menos não deveriam precisar. Mas o contrário já não é verdade. Eles que procurem a essência, o artista (com A maiúsculo) já achou a dele…
Abraço a banda…
foca – dosol
20 de maio de 2008 às 9:55 pm
Rafa, uma fama ou reputação construída ao longo de vários anos, aqui em SE, pode não significar nada num universo além-SE. O que quis dizer é que esse rapaz, que já fez parte de bandas e já se aventurou como compositor – inclusive conheço algumas das músicas dele – está eliminando todas as chances de interagir musicalmente com qualquer artista daqui. Ou ele desistiu da música, ou pretende cair fora daqui, ou ingerir chumbinho, algo assim. Mas pouco me importa, na verdade.
Ah! Recapitulando as vítimas (me ajudem):
NINO, ALAPADA, MINGO, CHICO E ANTONIO, LULA RIBEIRO, SENA, ANTONIO C DU ARACAJU. Esqueci alguém?
20 de maio de 2008 às 9:58 pm
Outra coisa: o disco de Lula Ribeiro (radicado no Rio já há muitos anos quando gravou o álbum) não foi gravado aqui, não teve músicos daqui tocando, e foi analisado em outro contexto, como se fosse um canto do cisne de uma era da MPB. E mereceu uma nota alta, como se nas entrelinhas ele quisesse dizer que nada FEITO aqui presta.
2 pesos e 2 medidas…assim é bem facinho falar bem/mal de qualquer coisa, não??
21 de maio de 2008 às 1:27 am
Tem mais no blog dele: Alex Sant´anna, Kleber Melo, Cata Luzes (que ele falou bem), Paulo Lobo e Rubens Lisboa… De quem ele falou bem: Chico e Antônio Rogério, Cata Luzes e Lula Ribeiro. E teve o João Moura no Cinform, que eu tb acho bem ruim.
Sim, e as músicas do cara, prestam?
22 de maio de 2008 às 2:11 am
Rafa, as músicas dele que conheço são da banda rock-pop LUMA LITE e outras só teclado e voz, acho que versões para o Sescanção com mulheres cantando. Não achei nada de mais. Tenho um CD-demo da banda, se quiser ouvir tá na mão.
Note que muitos CDs que ele malhou foram gravados há muito tempo, no esquema de ‘ir pra Recife-ficar na mão dos ratos-de-estúdio-gravar nas coxas e voltar’. Ou então mosaicos que os artistas juntam, uma gravina aqui, outra ali. Eu não tenho nada contra, cada um faz o que pode e como pode.
Eu quero ver é o que o boca de trapo vai falar de trabalhos mais recentes, de uma galera que já tá madura e com cabeças criativas dirigindo. Se é que vai falar. Acho que não, vai dar mais trabalho bolar as piadinhas e chacotas. Ex.: CDs mais novos de Rubens, Sibberia e a própria Scombona.
22 de maio de 2008 às 10:55 pm
Lembro da Luma Lite, conheço o baterista Pablo Rubino. Não cheguei a ouvir o demo nem ver show, pra tu ver como foram “importantes” pra cena local. Joga aí esse cd na minha mão, pra eu fazer uma resenha bem bonita e botar aqui no blog da Maria, mandar pro blog dele pra o cara publicar e pro Cinform também (eles sempre publicavam meus textos, quando eu mandava). De repente eu encontro um gênio incompreendido da música sergipana, né não? Aliás da música brasileira!
Também aguardo resenhas de discos sergipanos que valham a pena, e isso é um fenômeno recente. Publicamente Henrique já pediu uma resenha da Scombona e Alex pra Naurêa, agora é aguardar o monstro sagrado da crítica musical sergipana (?) se prestar ao serviço.
23 de maio de 2008 às 1:32 am
Rafa, ótima idéia a de resenhar o CD da Luma-Sprite. Ele sentirá o gosto do próprio veneno. Quer pegar aqui em casa? Me ligue! Abs!
23 de maio de 2008 às 8:02 am
É uma pena que não encontrei as letras, mas ouvirei melhor estes dias.
Continuo achando que não vale a pena descer o cacete em ninguém gratuitamente.
http://tramavirtual.uol.com.br/favoritoArtista.jsp?id=773638
http://www.fotolog.com/luma_lite/15990129
23 de maio de 2008 às 11:40 pm
Só que não é gatuitamente, Teles. E ainda não ouvi, se eu gostar vou falar bem, oras! Tô falando sério: de repente tem um gênio incompreendido a ser descoberto!
26 de maio de 2008 às 2:16 pm
WOW! Viram o texto de A C Du Aracaju no Cinform? Vociferou mesmo, meu tio Joubert teria inveja. Quero ser amigo de ADDA pra vida toda heheheh.
E no editorial, Jozailto defendendo o Robin dele, chamando-o de mártir, e juntou trechos de todos os e-mails que os músicos de Aju mandaram em protesto, chamando-os até de nazistas e de intocáveis (nos 2 sentidos, isto é, ‘que não tocam (em rádio, digamos)’).
Engraçado como cada um entende as coisas do jeito que QUER entender. Impressionante mesmo. Agora o promissor rapazola é a ‘vítima dos abutres da música em SE’.
É a velha história: ’se não aguenta, pra que veio?’
Que acharam?
26 de maio de 2008 às 11:32 pm
Rapaz, eu tô impressionado com a inversão das coisas, o cara é que é a vítima, e ele só fala da obra, “não ofende ninguém pessoalmente”, ao contrário dos artistas, esses abutres de alma pequena e mesquinha.
Num tô entendendo mais nada, vou desistir desse assunto. Ou eu sou louco, ou minha compreensão de texto é pífia, ou li outras resenhas… Por via das dúvidas, vou reler os textos.
27 de maio de 2008 às 8:26 am
As letras da demo da Luma-Lite são todas de Pablo Rubino, Igor só ajudava nos arranjos, a música Sedna foi selecionada para o Sescanção.
Se querem se vingar tentem outra tática.
Abs,
João Paulo, ex-baixista da Luma-Lite.
27 de maio de 2008 às 12:21 pm
Quando um cara abre um texto, uma crítica (entitulada ‘Piolho-de-cobra’, já fazendo troça do título do trabalho), gastando um parágrafo inteiro pra fazer uma piada sobre uma suposta cobra subindo por dentro da roupa de um cara – Antônio Rogério, no caso – em um texto cheio de escárnio, está fazendo o quê? crítica à obra? Um caralho que está! Está ofendendo a pessoa, SIM!
E depois quer que todo mundo seja bonzinho com o ‘jovem jornalista’.
Que fodam-se todos!
27 de maio de 2008 às 12:33 pm
Obrigado, JP, pelas relevantes considerações acerca do processo de composição da banda ‘LUMA-LITE’, bem como sobre suas conquistas em nível de festivais.
Na verdade ninguém aqui quer se vingar, como você diz. É que parece ser tão estimulante e gratificante o ofício de “crítico musical” que alguns por aqui já consideram também sê-lo.
Aproveite e sugira a seu amigo que volte sua prodigiosa caneta para obras mais recentes, gravadas e lançadas neste milênio ao menos (e não no passado). Ele terá mais trabalho para elaborar os gracejos, é verdade. Aliás, seria esta a razão de sua reluta em analisar trabalhos mais novos? Ou seria o temor às já declaradas ameaças de litígio judicial?
Bem, tudo terá um bom fim, é o que esperamos todos…
27 de maio de 2008 às 1:37 pm
João Paulo, não se apavore com possíveis análises à LUMA-LITE. Se alguém aqui usar da feiúra que o “caçador de talentos” faz, reclamarei da mesma forma.
Pessoalmente ouvi as músicas na net e gostei da musicalidade e da inciativa trazer letras inteligíveis, mas preciso das letras em txt pra eu ler com atenção. Se vc tiver, mande pra meu email: henrique@mariascombona.com.br
Espero uma relação mais respeitosa aqui que naquela meia-página do caderno de cultura!
27 de maio de 2008 às 2:00 pm
Henrique, não estou apavorado, a banda já não existe mais, e não teria relevância nenhuma para mim ser feita uma resenha ou não dessa demo, tenho inclusive algumas posições criticas sobre ela. Só fiz questão de ressaltar sobre as caracterísitcas das composições para que o Rafael, ao se propor a escrever sobre a banda saiba de mais detalhes.
Desculpa sobre a palavra vingança é que em um primeiro momento fiquei meio chateado em perceber que apenas por querer atingir o Igor tentassem descontruir a banda, que apesar de não ter ‘importância’ na cena Sergipana tem uma importância sentimental para mim, mais pelas pessoas que participaram dela do que pela música, que apesar de gostar sei que não agradará a todos.
ps.: você pode conseguir as letras com o Pablo, não lembro de tê-las em txt, até a demo que tenho não tem capa
.
ps2.: Vina, acho também que o Rafael Jr. possa ser um grande critico musical da nossa cena.
27 de maio de 2008 às 2:27 pm
Não, JP, não sou nem quero ser um crítico musical, muito menos “grande”. Espaço eu já tive e muito, e eu mesmo declinei com o tempo, de todos eles. Eu sou Músico. Eu tava brincando em relação a analisar a Luma-Lite, na verdade não tive nem curiosidade de ouvir, e o link tá na minha frente bem grande todo dia, quando eu entro aqui pra comentar no blog. Prefiro ouvir algo que signifique alguma coisa pra mim.
“Vingança” não faz parte do meu vocabulário e da minha essência, e eu estaria em desvantagem porque o Cinform tem muito mais poder e visibilidade. Qualquer hora dessa ele vai escrever “graciosamente” sobre algum trabalho meu ou que eu participei e eu pretendo não me manifestar, porque já virou piada batida, não tem mais o que se comentar (pelo menos pra mim). Aí eu uso o que vc falou, em relação a “importância sentimental”, a “querer atingir e desconstruir a banda” e coisa e tal… A Luma nem existe mais e vc chegou a ficar chateado só com a possibilidade disso acontecer! Sendo que vc desde o início enche seu amigo de parabéns pelos belos textos e porque tem que ser assim mesmo e etc… Agora pense um pouquinho: os discos têm algum valor pros que o conceberam, e o cara é SEMPRE ofensivo em todos os sentidos, e em cada trabalha várias pessoas amigas trabalharam nele e tal, que nem vcs quando fizeram a demo. No c dos outros é refresco, é?
Quero dizer tb que vcs estão colaborando e enriquecendo a discussão aqui, valeu e apareçam sempre.