Não é preguiça, moçada, é que tô sem aquelas horazinhas de privacidade e frutificação de idéias.
Outra coisa. Funciono assim: cada coisa tem a sua hora e só consigo render se estou vibrando bem com aquilo.
Compor não é diferente. Seja texto ou música, as gotinhas têm que se juntar pra virar chuva.
As críticas musicais contidas no Caderno de Cultura do Cinform, por exemplo, foram por algumas semanas um fator agregador – mesmo que artificiais, uma espécie de semeadura de nuvens – pois vislumbrei que após tanta movimentação, tanta poeira, se tiraria algo substancial daquela ocupação do espaço gráfico. Mas, hoje, depois de constatar que o cara é, além de pau-mandado, um buffone, sem vocação alguma para contribuir com a cena musical em Sergipe… sumiram-se chuva, gotas, nuvens, umidade. Este assunto hoje é plena aridez, de um potencial de infertilidade absurdo. Inigualavelmente brochante. Não seria melhor ter ficado no imaginário?
Outro dia, ali na Rua Itabaianinha, já perto do Maria Feliciana, vi uma moça de mini-saia daquelas que o vento levanta - acho até que já tem um tempo que essa moda passou. Não deixei de perceber, porém, a maldade do vento – nem a minha. Fiquei torcendo mesmo, ora, pra dar um ventinho e meu campo de visão ser reduzido subitamente a poucos palmos. O vento passou devagarinho pra um lado, devagarinho pra outro, e nada de levantar. Perdi a fé, mas a moça ganhou confiança. Descuidou-se. Eis que de repente, antes que qualquer sinapse nervosa recebesse o comando para baixar os braços, e as mãos segurarem o pedacinho de pano que encobria aquele bem particular, o vento mergulhou ligeiro de baixo pra cima, numa cena de dar inveja a Marylin Monroe. Foi a levantada de saia mais cruel que já presenciei. Mas, até hoje me pergunto: não seria melhor ter ficado no imaginário?
Pois bem, superada a brochada que dei com os textos e a atuação de Igor Matheus e passadas algumas agruras laborais, administrativas etc., “ói eu aqui de novo para xaxar”.
Estou prepaparando um modestíssimo texto que se enxere no assunto da nossa lenda urbana da “Praga do Cacique Serigy”, alcançando ainda a variante não menos incômoda do “Complexo de Caranguejo”.
Bora ver no que dá.
Arquivo de setembro, 2008
Ah… se as praias fossem minhas…
Ah se pudesse cobrar ingresso!
O vento de agosto varreu os pés - e já refresca o cangote - do mês de setembro. Tenho forte esperança que não lhe assanhe a cabeleira, porque, entrar o mês de outubro sem pegar um diazinho daqueles de sol torrando, “vento parado” – kkkkk… como dizia Raimundinho Oliveira – e deliciosas merrecas, abrindo suas belas pernas para os nossos longboards deslizarem… entrar o mês de outubro sem uma queimadura de primeiro grau, sem aquele grude de sal, sem um gole – basta um pra mim – de uma cerveja trincando de gelada, sem ver a minha deusa reestreando a praia com um provável biquini novo… dói. Passa vento, que eu quero ver cor na água do mar…
UM POLICIAL DANÇANDO NO QUARTEL
Não se trata aqui de um ato de desagravo, mas apenas duas recomendações aos superiores deste rapaz:
1 – Publiquem um elogio à sua (incom)postura. Antes a inocência de uma dança, à atuação em milícias e grupos de extermínio.
2 – Adotem formalmente a arte na corporação. Dançar não é crime, faz bem a todos e não precisa ser praticada às escondidas.
Concluo: Feiúra, capturar a imagem e expor as pessoas sem sua autorização, trazendo muitas vezes prejuízos. Neste caso, ao menos num aspecto foi positivo: o vídeo já faz parte da inspiração do meu dia. Para começar a jornada com bom humor, nada melhor que a dancinha do guardinha.