Não é preguiça, moçada, é que tô sem aquelas horazinhas de privacidade e frutificação de idéias.
Outra coisa. Funciono assim: cada coisa tem a sua hora e só consigo render se estou vibrando bem com aquilo.
Compor não é diferente. Seja texto ou música, as gotinhas têm que se juntar pra virar chuva.
As críticas musicais contidas no Caderno de Cultura do Cinform, por exemplo, foram por algumas semanas um fator agregador – mesmo que artificiais, uma espécie de semeadura de nuvens – pois vislumbrei que após tanta movimentação, tanta poeira, se tiraria algo substancial daquela ocupação do espaço gráfico. Mas, hoje, depois de constatar que o cara é, além de pau-mandado, um buffone, sem vocação alguma para contribuir com a cena musical em Sergipe… sumiram-se chuva, gotas, nuvens, umidade. Este assunto hoje é plena aridez, de um potencial de infertilidade absurdo. Inigualavelmente brochante. Não seria melhor ter ficado no imaginário?
Outro dia, ali na Rua Itabaianinha, já perto do Maria Feliciana, vi uma moça de mini-saia daquelas que o vento levanta - acho até que já tem um tempo que essa moda passou. Não deixei de perceber, porém, a maldade do vento – nem a minha. Fiquei torcendo mesmo, ora, pra dar um ventinho e meu campo de visão ser reduzido subitamente a poucos palmos. O vento passou devagarinho pra um lado, devagarinho pra outro, e nada de levantar. Perdi a fé, mas a moça ganhou confiança. Descuidou-se. Eis que de repente, antes que qualquer sinapse nervosa recebesse o comando para baixar os braços, e as mãos segurarem o pedacinho de pano que encobria aquele bem particular, o vento mergulhou ligeiro de baixo pra cima, numa cena de dar inveja a Marylin Monroe. Foi a levantada de saia mais cruel que já presenciei. Mas, até hoje me pergunto: não seria melhor ter ficado no imaginário?
Pois bem, superada a brochada que dei com os textos e a atuação de Igor Matheus e passadas algumas agruras laborais, administrativas etc., “ói eu aqui de novo para xaxar”.
Estou prepaparando um modestíssimo texto que se enxere no assunto da nossa lenda urbana da “Praga do Cacique Serigy”, alcançando ainda a variante não menos incômoda do “Complexo de Caranguejo”.
Bora ver no que dá.
28 de setembro de 2008 às 9:50 pm
Maravilha! Teles tem escrito, em suas composições, sobre o tempo, e ele (o tempo) veio de novo pra dar uma trégua nos textos e na criação, pra depois, creio eu, desembocar numa chuva de criatividade e sensibilidade na costura das palavas de seus ótimos textos, cousa que uns críticos “pelaí” nunca terão… Pode ter até as manhas, mas sem sensibilidade artística e poética não é alta costura, é remendo.
29 de setembro de 2008 às 2:42 am
Caboco,
Muito bom o blog. Não sabia que Tico fazia texto tão bem quanto surfa. rsrsrs
Abção meu fio. Parabéns!
29 de setembro de 2008 às 6:54 am
Puta merda, Deco! Você é bem legal na hora de elogiar, hein!? Rafael, que tal um elogio destes? kkkkkkkkk
29 de setembro de 2008 às 1:44 pm
Ôxe, merecido.
Já ouviu falar em “surfista de alma”?
Tem poucos, Teles, e você é um deles.
29 de setembro de 2008 às 10:43 pm
boa, boa, Rafael Jr. bom desdrobo.