Não sei pq chamam aquelas tartaruguinhas de picolé de baiano! Ando bastante pela nossa vizinha-irmã, Bahia, e pouco vejo destes quadradinhos de cimento na rua. Já em Sergipe, virou praga. É nas esquinas, na divisão entre faixas, beirando ciclovias, em tudo quanto é canto colocam os objetinhos inoportunos e ameaçadores.
É preciso um deslocamento multimídia pra que se perceba o perigo dos trocinhos no meio da pista, transversal ou longitudinalmente (trevessado ou no comprido).
Nas BRs agora estão colocando estes “desestabilizadores de direção” nos locais de ultrapassagem não permitida. Imaginem vocês! Justo nas curvas e lombadas, lugares críticos, onde não se sabe o que vem de lá pra cá, se tem animal na pista, ou um veículo quebrado ou acidentado, ou um pedestre atravessando, enfim, qualquer coisa que lhe obrigue a mudar de faixa. Fatalmente vai lhe obrigar a passar por um teste dificílimo de domínio do seu veículo – ainda mais se a pista estiver molhada.
O que passa pela cabeça das pessoas que resolvem inventar um meio de tornar o trânsito mais seguro? Será que elas dirigem? Fizeram os devidos testes com a revolucionária invenção? Aquilo impede, realmente, que se faça uma ultrapassagem? Proporcionalmente, os picolezinhos tem algum significado para uma carreta, um ônibus ou outro veículo de grande porte? Essa eu respondo: não tem. Significado algum tem aquilo para os veículos a partir das grandes pick-ups.
Portanto, há também um tratamento desigual, pondo em risco especialmente a vida de quem trafega em veículos de passeio, ou seja, famílias.
Ah, é pra sinalizar apenas? Então coloquem os chamados “olhos-de-gato”. São muito mais seguros.
Quer ver coisa pior? Motocicletas. Putsss… quando imagino uma motocicleta tocando um picolezinho daqueles numa curva, é de dar calafrios. É chão na certa, se der sorte de não vir outro veículo. Sandice!
Já para os ciclistas, nem precisa gastar as pernas indo para as BRs, aqui mesmo em Aracaju dá pra fazer algo bem parecido. É só se distrair um pouquinho, e lá estão os famigerados brinquedos de torrar dinheiro público para lhe derrubar e fazer você gastar pernas, joelhos, cotovelos, dentes, queixo e o que tiver mais pra ralar no asfalto.
Enfim, vá do que você for, cuidado com esse produto de profunda elaboração da mente humana, chamado popularmente de picolé de baiano, mas que bem podia ser chamado de cocozinho sergipano.
E ainda dou a frase de efeito pra colocar nas placas de sinalização, que sempre são colocadas dias depois: Cocozinho sergipano na pista – você não vai gostar de pisar!