Arquivo de maio, 2009

Rito Sumário

Por: Henrique Teles    |    28 de maio de 2009

Puta que pariu!!! – Preciso moderar meu vocabulário.
Voltando ao assunto: puta que pariu! Não tem como não dividir com vocês a minha indignação e, ao mesmo tempo, meu jeito de ver as coisas.
Moro no Loteamento Aruana (o antigo). Adivinhem vocês, sabendo que aqui é o lugar esquecido pelo poder público. Políticos, ah, políticos… a Aruana é um lugar estigmatizado como morada de ricos e/ou gente sem juízo – só pode – onde se encontram facilmente belos fósseis de asfalto, que aqui pavimentava ruas há cerca de 25 anos atrás. Pois adivinhem o que se faz por aqui entre uma falta de energia e outra, uma pane telefônica e outra! Digo?!
Matar muriçocas.
Eu sei, eu sei, não é exclusividade nossa. É um exótico hobby aracajuano criar esses bichinhos, desde quando a bebezinha ainda se chamava Santo Antônio do Aracaju. É moda há muito tempo, que chega com as chuvas de São José – seria ele o padroeiro dos doadores de sangue?!
Mas, não, amigos visitantes. Aqui na Aruana é diferente. Nós temos lagoas, brejos, poças, valas, piscinas abandonadas, verdadeiros latifúndios onde se cria essa especimezinha que toca aquele violino desafinado aos nossos ouvidos noite após noite. E aqui são bem criadas, facilmente confundidas com um pássaro preto por qualquer desavisado.
Vocês já pararam para analisar a cena? Olhem friamente e vejam como é bizarro uma pessoa se estapeando raivosamente, às vezes à base de xingamentos. Ao que bastava um leve tapinha para desmanchar a magricela, descemos uma verdadeira mãozada, não percebendo que, na maioria das vezes o alvo escapa ligeiro, e nós mesmos é que apanhamos. Acho que a raiva não é da muriçoca. É, talvez, ou certamente, de quem toma conta do nosso dinheiro e vive negociando as próximas eleições em vez dar um show de adminstração apenas, resolvendo problemas básicos de saneamento. O tapa seria pra eles.
Mas vamos lá, esta história nunca terá fim. Nem muriçocas, nem políticos oportunistas; ambos são de temporada mesmo, tendo as primeiras a grande vantagem de não ter sobrenome e de resolvermos nossas questões no braço.
Na falta de solução, deixo aqui em primeira mão a letra de uma música que a Maria Scombona já toca nos ensaios e que certamente estará no nosso próximo álbum.

RITO SUMÁRIO

(Henrique Teles)

Estação de auto-flagelação
Estapear-se, olhar pras as mãos
Resignar-se se ainda não há sangue

Estação de mortificação
Soturno ritual noturno diário
Rito sumário
Praguejamento, maldição
Rogativas aos céus
Sentenças de baixo-calão
E ainda
Auto-flagelação

Agressão
Sangue nas mãos
Filhos investem sobre pais
Irmãos sobre irmãos
Apocalipse de São João?
Não
Muriçocas

 

Balaio de birra.

Por: Henrique Teles    |    26 de maio de 2009

Não quero!

Piscina, quando tenho Mar
Chuveiro, quando tenho um toró
Kibon, se tem Picuí
:**** :D :) ,  se há sua presença
Coverama, quando é bom The Baggios
Coelho, se posso Lobato
Lanterna, por Lua Cheia
Carro, onde roda bike
Digital, sem meus harmônicos
Punheta, se meu amor se molha por mim

É assim!

Polícica – leia e repense sua vida

Por: Henrique Teles    |    17 de maio de 2009

Um dos episódios mais importantes da história recente do País: Operação Satiagraha. Por quê?
Só mergulhando nos bastidores da operação – ou como diz Bob Fernandes, nos intestinos do Brasil – para se dar conta do inimaginável roteiro de filme gangster que vivemos e vivemos – passado e presente – onde pouca gente sai de mocinho na história.
Com vocês: Protógenes Queiroz (Paulo Lacerda, De Sanctis, De Grandis) X Gilmar Dantas (segundo Noblat) da Silva & Cia. - http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2998733-EI6578,00.html

LEITURA IMPERDÍVEL!

Henrique Teles  16 de Maio de 2009 às 12:11 am 
em http://blog.mariascombona.com.br/2009/05/comentario-de-dudu-prudente-que-virou-post/

Dudu, há muita coerência no que você fala, mas sou meio desconfiado com a atuação ostensiva do estado na escolha de caminhos estéticos. O caminho armorial pode até ter sido uma tentativa de ditadura, mas nessa mesma época já havia gente conectada com o que se fazia pelo mundo. Já havia tropicália, bossa nova, jazz, jovem guarda, beatles, cinema americano e tudo mais. Já se fazia música brasileira com elementos pop/rock. Vide Gilberto Gil e outros – para reflexão, indico o disco Vivo de Alceu Valença (1976) – coisa que, a bem da verdade, nem de longe, é propriedade do movimento mangue.
Pernambuco, Bahia e outros estados são o que são pelo senso, a consciência de comunidade que eles tem. Eles se reconhecem assim, antes mesmo que os movimentos puristas ou intelectualóides puxem para si os louros da identidade.
Aracaju tem células de identidade de raiz, especialmente nos bairros mais antigos de periferia, como o Aribé, o Castelo Branco, a Caixa D’água, algumas áreas da Suissa, Santo Antônio, 18 do Forte, Medici e outros. Veja como há um reconhecimento bem mais claro de sergipanidade nessas pessoas. Veja logo pelo sotaque, que é onde você conhece a liga de identidade. Na fala, no vocabulário. Já viu aquelas “neguinha azeda” dançando e cantando nas quadrilhas? Ali é bonito demais. (Imagino que os bairros de classe média, sofreram muito com o auto-preconceito e as levas de forasteiros – no bom sentido – que vieram com as estatais e indústrias, perdendo um pouco a ligação com nossas raízes).
Enfim, acredito que se houver oportunidade de acesso a informação, busca de auto-conhecimento – senso comunitário – e exercício de elaboração, haverá uma explosão produtiva por todos os lados em Sergipe. Com a nossa cara, claro. D

Cobra-verde!

Por: Henrique Teles    |    17 de maio de 2009

Amigos, postei outro dia um comentário a respeito da minha decepção quando fui ver um show de Cobra-verde. Ôh hora abençoada, quando resolvi reclamar!
A princípio recebi o comentário de Lu Piteca expressando estranheza com meu comentário – mas ela sabe que não falaria aquilo à toa. De toda forma, gentilmente me passou o email de Damien, o produtor de Cobra-verde, que, depois de alguns emails e telefonemas trocados, me fez uma agradável visita. Foram boas horas torradas num bate-papo rico, escavacando o universo do forró sergipano.
Ganhei um cd de Cobra-verde, que tinha sido lançado dois dias antes, sem a minha presença. (que porra!)
Não vou resenhar ainda. Só estou contando pra vocês que ganhei.
Só queria contar que tô tentando trabalhar e o cd não deixa. A todo instante sou compulsóriamente arrancado do presente e atirado à minha infância nas feiras de Lagarto, Simão Dias, Tanque Novo, Tobias Barreto, a caminhar entre gaiolas de passarinhos, bancas de tecido, vendedores de pomadas de peixe elétrico, entre borregos e bacurinhos, entre fateiras e bancas de carne, de chã de dentro e chã de fora, arrodeadas de cachorros de rua, que por ali faziam a festa… ah, feiras do interior, onde se tomava um café da manhã com tudo feitinho na hora… ah, este cd de Cobra-verde que não me deixa trabalhar. Forró pinicado, toadas das melhores, tem um pout-pouri de marchinhas que é uma coisa. Xote, aboio, pife, zabumba, boas participações também… destaque para Os Vitos e Danielzinho… ops… falei que não ia resenhar agora…
Pra azar meu o receiver ultramoderno que tenho, 5.1(kkk), no infortúnio de estar desarmando o canal central, tira a voz do cantor e deixa aparecer mais ainda a sanfona e os outros acompanhamentos. Aí lascou! Aí ressalta-se mais ainda os fraseados do cabra cobra, Cobra-verde, que são de arrepiar – benza Deus, pra não botar olhado!
Repito: o show que vi de Cobra-verde no Cariri não foi bom. Saí e fui pra casa. Mas eu já tô sabendo porque. Pra atender aos interesses comerciais da casa – o que não é crime – eles tocaram coisas do chamado forró elétrico, que definitivamente não é a alma de Cobra. Quem ouvir o disco vai saber do que falo.
Bora Cobra! Bota pra frente a caravana meu fiu!!! Esse disco é um almanaque rico e raro, que ainda hei de resenhar.

A casca do caroço

Por: Henrique Teles    |    15 de maio de 2009

Outro dia, rememorando nossa produção musical, especialmente no que se refere aos temas e letras, fiquei me perguntando se pra ser compositor sergipano, artista sergipano, é preciso referir-se tanto, e às vezes de forma tão gosmenta, às mesmas coisas de sempre… vocês sabem, né? Caju, arara… arara, caju… Atalaia… caju… arara… caranguejo… atalaia… caju… sertão… ops… sertão?!
Para ser artista sergipano tem que falar do sertão, meu sertão, meu sertão, meu sertão? “Que só conheço de longe, porque lá nunca fui não, meu irmãããããão!!!!!!”
Como a gente consegue GASTAR a beleza das coisas! Temos preguiça de olhar para outras coisas ou, simplesmente, olhar as mesmas coisas de outras formas!!! Aí volta a mesma cantiga…
Vem aí uma nova e promissora geração de artistas aracatengas*, moçada. Esqueçam viu! No dia que o artista ganha o mundo, sua cidadania extrapola as fronteiras do rincão. Não tem jeito. Acostumado a escrever e a cantar o que lhe cerca, seus limites, desde já, já não serão a casca daquela semente onde estava contido; sua tribo torna-se mais vasta a cada pernoite, a cada paradeiro. E aí?
Aí você já não cobra do Alagoano Djavan falar somente da lagoa do Mundaú; nem da Campinagrandense, Elba Ramalho, xaxar 24 horas por dia; nem do baiano, Gilberto Gil, dar pernada ao som de din-din-don; nem de Acione, cantar o boi do Maranhão o tempo inteiro. Esses sujeitos passaram a ser cidadãos brasileiros, senão do mundo. E agora já falam e cantam outras coisas – também. É o caminho.
Por isto, acho bom exercitar os sentidos em busca de outras sergipanidades mais sutis – e não menos vigorosas e verdadeiras – e ver que isto tudo está conectado com o mundo fora do nosso grão, que nos atrai e pede que isto se expanda.
Agora, coisa minha, da qual eu não abriria mão, seria meu sotaque. Isto não. Este sim é o corpo etéreo da minha identidade. Estará no ar e remeterá qualquer ouvinte às minhas origens, a saber de onde venho e qual seria e será a história desse povo que me pôs no mundo assim. E isso é bonito.

* Os Aracatengas = Os aracajuanos, p. ext. os sergipanos. Termo muito usado na comunidade do longboard, quando nos referirmos a nós mesmos. Alguém, um dia, falou, e pegou.

 

QUANDO TUDO LÁ FORA ERA TORPOR
QUANDO DENTRO DE MIM, FRIO
E O ORVALHO E EU, ETERNO SÓ
NAQUELA BOCA DE BARRA DE RIO
BRAÇOS SE ABRIRAM PRA ME DAR CALOR
UM PEDAÇO DE MIM QUE NINGUÉM VIU
LEVA – ONDA DE AMAR – ME LEVA
PONHAMOS NO COLO A MADRUGADA
NINÁ-LA, E NADA DIZER
PORQUE, ONDE O MUDO DIZER DIZ TUDO
NÃO PRECISAMOS DIZER MAIS NADA

 

Dudu Prudente  12 de Maio de 2009 às 10:05 am
em http://blog.mariascombona.com.br/2009/05/comentario-de-rafael-mingau-que-virou-post/

A cultura sergipana tem que deixar de ser aquela tia velha que a gente respeita mas que raramente a visitamos e quando assim fazemos, tomamos a benção e nada mais. Chega de reverenciar mitos ancestrais, petrificados nos monumentos de praças públicas. É preciso criar novos mitos, é preciso trazer o termo “cultura” para o presente. A tradição não é algo que surgiu no passado e se eternizou, ela surge e se renova a cada dia. É preciso antes de tudo fazer o sergipano se conhecer, afinal, quem não se conhece não sabe se apresentar. Como teremos um porte cultural para o Brasil se não sabemos quem somos? A minhoca da terra se transformou no estereótipo do artista sergipano durante todos esses anos por culpa dele mesmo que nunca se sentiu merecedor de muitos aplausos, nunca pensou de fato o que é ser artista, preferindo fazer cópias baratas do que vem de fora, se acomodando na sua “arte” e na arte de criticar uns aos outros sem deixar de fora obviamente os órgãos culturais. Diagnóstico feito, é hora de remediar.

Sabemos que é bem mais saudável dar a vara do que o peixe portanto, não vejo como o melhor caminho sair custeando produções sem ter o mínimo critério de avaliação do que é produzido, dos insumos humanos e tecnológicos utilizados, de como essa produção será distribuída e o mais importante: se ela realmente tem algo a mostrar. Infelizmente o que vemos nos resultados dos editais de cultura são livros empilhados na casa do escritor, filmes que não enchem salas e cd’s que não são ouvidos. Falta a referência. Capacitar toda a cadeia produtiva de cultura é um caminho. Do produtor ao músico, do operador de luz ao ator, da aprendiz de rendeira à vendedora da loja que comercializa seu artesanato. Trazer referências pra essa gente, rasgar a bolha e empareiar nossa produção cultural com as de outros estados, promovendo uma troca de informação constante entre os profissionais dessa cadeia.

Tenho observado de perto a efervecência cultural que Pernambuco vive hoje. Estou indo gravar com Polayne seu disco no estúdio Fábrica, de onde sai a maior parte da cena musical de lá. Conversando com uns e outros percebo que de fato a coisa está borbulhando mas que isso não é um trabalho de agora. Na década de 60, Pernambuco já tinha Ariano Suassuna gerindo os órgãos de cultura e implantando a ideologia nacionalista do movimento armorial que negava toda e qualquer influência cultural que não fizesse parte da tradição. Essa tese foi proveniente do pensamento de Silvio Romero e estabelecida por Gilberto Freyre. A consequência disso foi uma ditadura cultural vivida por quase 3 décadas, mas que foi de extrema importância para o auto conhecimento cultural do lugar, ou seja, o pernambucano se conheceu, foi apresentado a ele mesmo e com isso ergueu sua cabeça e se apresentou para o resto do país. Na década de 90, o movimento mangue bateu de frente com toda a teoria armorial, hasteando a bandeira do hibridismo cultural. O mundo havia mudado muito nesses 30 anos e já se fazia necessário beber da tradição sicretizando outras expressões. É o conceito da parabólica no mangue. 

Tomo Pernambuco como exemplo porque vejo em Sergipe um perfil muito parecido. Como um estado nordestino, temos cultura preservada, temos diversidade em todas as manifestações, temos identidade, só não temos o conhecimento disso tudo.
Cabe a nós tirar a rudeza da cultura sergipana, lapidar e elevar a qualidade das nossas produções utilizando a nossa tradição como pano de fundo para garantirmos nossa identidade e jamais abrindo mão de uma linguagem atual e moderna. 
 
A cultura tem que estar inserida na rotina do sergipano. Galerias precisam deixar de ser museus e se tornar mais atrativas, teatros não podem funcionar apenas em noites de apresentação, eles  têm o papel de oferecer oficinas de capacitação para as mais diversas áreas. O músico tem que sair do amadorismo e pensar profissionalmente. Montar uma estrutura com seu produtor musical que vai dar estética e pensar mercadologicamente no seu trabalho, com o produtor executivo que amplie sua rede de contatos para viabilizar shows. Ele ainda precisa pensar na luz, no som, no roteiro do seu show, etc. Ele precisa se olhar no espelho todos os dias em busca de uma identidade musical que só se consegue aborvendo outros trabalhos. Falo da música porque conheço melhor a realidade mas isso se extende a todas as expressões. Não adianta reclamarmos do prestígio aos artistas de fora nas festas patrocinadas pelo povo se não nos preocupamos em apresentar um bom produto para esse povo, salvo alguns artistas que já perceberam essa importância (Naurêa e Maria Scombona trabalham como tem que ser: pensam, planejam e estão sempre buscando formas de expandir seus horizontes artísticos) afinal, quem paga exige.

Não adiantar pensar em cena cultural se não soubermos nos estruturar pra isso. Essa estrutura só é possível através da capacitação. Temos plenas condições de tornar nossa produção atraente primeiramente para o sergipano e consequentemente para o Brasil, mas só será possível se trouxermos referências, pra que a rota cultural não chegue na Bahia, faça a curva e vá direto pra Pernambuco. O NORDESTE REPRESENTA O NOVO!
Nêgo já tá enchendo o saco de reinvenção de samba carioca, bossa nova e rock pop mela cueca.

  

http://www.youtube.com/watch?v=jbN-jO11vKg

NOVAS VIDAS

COMO NÃO ACREDITARIA EM REENCARNAÇÃO?
SÓ NESSES POUCOS QUINZE DIAS
MORRI ALGUMAS VEZES
TODAS AS VEZES QUE LHE VI PASSAR
DISTANTE DE MIM
A DOR E O PRAZER DE VIVER É ASSIM
VER A VIDA LHE DIZER
O CAMINHO A SE TRILHAR

TALVEZ EU PRECISE MORRER
- A BENÇÃO, MÃE VIDA!
TANTAS QUANTAS ELAS FOREM
QUÃO REPLETAS SEJAM DE DORES
… E TÃO VAZIAS DE PORQUÊS

NÃO BUSCO MAIS ENTENDER
NEM TATEAR A SOMBRA DO SILÊNCIO
NA BUSCA DO SORO E DA SOBREVIDA
MELHOR DEIXAR FENECER
TANTAS QUANTAS FOREM AS VEZES
POIS PARA CADA GOLPE MORTAL
HÁ UM AFAGO NATAL
E O PRAZER DE UM RENASCER
MELHOR