Amigos, postei outro dia um comentário a respeito da minha decepção quando fui ver um show de Cobra-verde. Ôh hora abençoada, quando resolvi reclamar!
A princípio recebi o comentário de Lu Piteca expressando estranheza com meu comentário – mas ela sabe que não falaria aquilo à toa. De toda forma, gentilmente me passou o email de Damien, o produtor de Cobra-verde, que, depois de alguns emails e telefonemas trocados, me fez uma agradável visita. Foram boas horas torradas num bate-papo rico, escavacando o universo do forró sergipano.
Ganhei um cd de Cobra-verde, que tinha sido lançado dois dias antes, sem a minha presença. (que porra!)
Não vou resenhar ainda. Só estou contando pra vocês que ganhei.
Só queria contar que tô tentando trabalhar e o cd não deixa. A todo instante sou compulsóriamente arrancado do presente e atirado à minha infância nas feiras de Lagarto, Simão Dias, Tanque Novo, Tobias Barreto, a caminhar entre gaiolas de passarinhos, bancas de tecido, vendedores de pomadas de peixe elétrico, entre borregos e bacurinhos, entre fateiras e bancas de carne, de chã de dentro e chã de fora, arrodeadas de cachorros de rua, que por ali faziam a festa… ah, feiras do interior, onde se tomava um café da manhã com tudo feitinho na hora… ah, este cd de Cobra-verde que não me deixa trabalhar. Forró pinicado, toadas das melhores, tem um pout-pouri de marchinhas que é uma coisa. Xote, aboio, pife, zabumba, boas participações também… destaque para Os Vitos e Danielzinho… ops… falei que não ia resenhar agora…
Pra azar meu o receiver ultramoderno que tenho, 5.1(kkk), no infortúnio de estar desarmando o canal central, tira a voz do cantor e deixa aparecer mais ainda a sanfona e os outros acompanhamentos. Aí lascou! Aí ressalta-se mais ainda os fraseados do cabra cobra, Cobra-verde, que são de arrepiar – benza Deus, pra não botar olhado!
Repito: o show que vi de Cobra-verde no Cariri não foi bom. Saí e fui pra casa. Mas eu já tô sabendo porque. Pra atender aos interesses comerciais da casa – o que não é crime – eles tocaram coisas do chamado forró elétrico, que definitivamente não é a alma de Cobra. Quem ouvir o disco vai saber do que falo.
Bora Cobra! Bota pra frente a caravana meu fiu!!! Esse disco é um almanaque rico e raro, que ainda hei de resenhar.
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