Henrique Teles  16 de Maio de 2009 às 12:11 am 
em http://blog.mariascombona.com.br/2009/05/comentario-de-dudu-prudente-que-virou-post/

Dudu, há muita coerência no que você fala, mas sou meio desconfiado com a atuação ostensiva do estado na escolha de caminhos estéticos. O caminho armorial pode até ter sido uma tentativa de ditadura, mas nessa mesma época já havia gente conectada com o que se fazia pelo mundo. Já havia tropicália, bossa nova, jazz, jovem guarda, beatles, cinema americano e tudo mais. Já se fazia música brasileira com elementos pop/rock. Vide Gilberto Gil e outros – para reflexão, indico o disco Vivo de Alceu Valença (1976) – coisa que, a bem da verdade, nem de longe, é propriedade do movimento mangue.
Pernambuco, Bahia e outros estados são o que são pelo senso, a consciência de comunidade que eles tem. Eles se reconhecem assim, antes mesmo que os movimentos puristas ou intelectualóides puxem para si os louros da identidade.
Aracaju tem células de identidade de raiz, especialmente nos bairros mais antigos de periferia, como o Aribé, o Castelo Branco, a Caixa D’água, algumas áreas da Suissa, Santo Antônio, 18 do Forte, Medici e outros. Veja como há um reconhecimento bem mais claro de sergipanidade nessas pessoas. Veja logo pelo sotaque, que é onde você conhece a liga de identidade. Na fala, no vocabulário. Já viu aquelas “neguinha azeda” dançando e cantando nas quadrilhas? Ali é bonito demais. (Imagino que os bairros de classe média, sofreram muito com o auto-preconceito e as levas de forasteiros – no bom sentido – que vieram com as estatais e indústrias, perdendo um pouco a ligação com nossas raízes).
Enfim, acredito que se houver oportunidade de acesso a informação, busca de auto-conhecimento – senso comunitário – e exercício de elaboração, haverá uma explosão produtiva por todos os lados em Sergipe. Com a nossa cara, claro. D


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