Você tem filhos? Eu tenho. Não reclamo da dura negociação diária com eles sobre comprar ou não comprar. Negociamos sobre todos os assuntos o tempo inteiro mesmo.
O foda, caros amigos, é assistir ao implacável e voraz ataque da mídia, através da propaganda, sobre os desejos da criançada. (Este post não visa discutir a ética profissional na publicidade).
O documentário que indico serve como um alerta a quem se situa do outro lado da relação de consumo, e está disponível no Youtube. Este link é para um trailer: Criança, a alma do negócio.
Abram os olhos!
Arquivo de maio, 2009
em http://blog.mariascombona.com.br/2009/05/por-artistas-que-se-respeitem/
Callinectes Exasperatus d’mode
http://www.infonet.com.br/politica/ler.asp?id=85411&titulo=politicaeeconomia
Não recebo com surpresa o link. Causa conseqüência, a – gestão indigestão. Na comunicação a mudança era previsível, mas não deveria. Se de boas intenções o inferno está cheio, Dante já sabia dos círculos na esquina dos despachos e indigesto, cuspo no prato que comi. Refém por mocidade e ludibriado pelo mote da mudança, acreditei que fazia parte, principalmente como eleitor, de um processo político de transformação em meu Estado, mas estava vendido ao princípio de comunicação que ajudava a instituir. Hoje, mesmo com tão pouco contato, sei que não é com o Governo que devo contar. Prefiro esperar Godot a sonhar com a iniciativa de políticas públicas mais eficazes no âmbito da cultura e da difusão da identidade sergipana. Boas intenções molestadas por distorções de poder egóicas não favorecem em nada o meu mais indefeso ímpeto por fazer cinema. Diante de tamanha decepção encontrei a autonomia. Ela exige dinâmica e soluções práticas. Puxa da inteligência, sacode da cadeira, implica num ser mais inventivo e por isso mais sagaz e fortalecido no que crê. Longe do atalho, tomei o caminho mais longo. No meu caso é quase um tiro no pé pensar em independência. Meu meio de produção artística é de prática cara, mas se na mecânica da política não encontrar incentivo fico grato por não levar essa culpa.
A lei nacional de Fomento e Incentivo à Cultura esta sendo discutida publicamente, parece ser menos corruptível e indica um norte em discussões mais construtivas que no âmbito da dança dos caranguejos, diria siris, na panela a fervilhar.
PS: Estou ansioso para ver a mais nova produção do cinema marginal sergipano (http://www.youtube.com/watch?v=JYac4s2kXUE) dizem que custou R$ 30. Admiro os tempos de crise.
* inspirado no texto Por um São João de Respeito, de Amorosa, na seção Opinião do Jornal do Dia (01 e 02/05)
Recebi das mãos de meu sogro Adalto o recorte de página com a opinião de Amorosa sobre os gastos públicos com as próximas comemorações juninas.
Articulada, como sempre, esta moça, que me batizou, a contragosto meu, como Henrique Teles, deixa suas idéias muito claras.
Sinceramente, não sei como anda agora, mas sempre foi pública a frágil relação da nossa itabaianense com o grupo político que hoje administra a capital e o estado. Várias foram as suas manifestações abertas, em alto e bom som, para respostas quase sempre silenciosas. E é preciso que eu me refira a isto para não patinar na ingenuidade.
Ressaltada esta situação, entro onde bate a mão do pilão.
A escolha das atrações e o preço dos cachês: é um julgamento difícil de ser feito. Cada artista, por incontáveis motivos, tem sua valoração no mercado e o que resta ao Estado é pagar ou não pagar. A idéia é somente economizar, não importa a presença do público? E se deixa de trazer artistas aclamados pelo talento, ou simplesmente que estão na mídia, o povo comparece? Não estaria o público em busca dos grandes artistas mesmo? Dos grandes trabalhos? E se fazemos a festa somente com artistas locais, vai funcionar? Ou a gente vai tocar pra aqueles quatro bebinhos de novo? Reconheço que aqueles, sim, são fiéis – a qualquer coisa.
Bem, vou logo dando minha opinião: tem que ter grandes atrações. Mas Amorosa não as descarta. Tudo bem. Concordo com ela nisso. Porém, não precisa restringir os grandes shows a vesperas e dias dos santos. Teria público para o restante dos dias? Dá pra ter um show “médio” ou “grande” cada dia. Ainda sobra dinheiro.
Mas percebam onde quero chegar, porque já falei de outras vezes dessa grandiosidade das festas, que nos joga na grande mídia e alimenta o nossa ego-sergipanidade de uma forma enganosa. Achamos que está tudo lindo, maravilhoso, mas as noites estão repletas de atrações importadas. A festa nos ilude, mas o público continuará lamentando a inexistência de um grande artista nacional exportado diretamente da terra dos “urêa sêca”: Sergipe. Sem cachês para nós de cá, sem grana, não há fomento à revelação de grandes nomes sergipanos. A política de muitos shows importados não só impede que se abram espaços para os trabalhos locais, como também causa uma fuga muito grande da verba para fora do estado. Dinheiro que seria muito importante no financiamento da produção cultural local. Mais dinheiro para produzir novos discos, dvds, alimentar o mercado fonográfico, ter novos e bons álbuns sendo executado nas rádios, mais público nos nossos shows e, do milagre que se faz em casa, fazer-se os santos para trilharem as estradas desse Brasilzão.
Estamos na seara do forró, e aqui eu posso meter meu bedelho. Não falo de forró porque é charmoso ou cult. Falo de forró porque o como com farinha. Ele está na minha mesa tanto quanto o cuscuz e o café com leite. Ouço e danço forró religiosamente. E ouço de todos os credos do forró.
Com muito esforço e, reconheço, um pouco de náusea, tenho que admitir que as bandas de forró elétrico são eficientes. Pegaram a vergonhosa carona, na carona, da carona da primeira bosta que vi tocar, chamada Mastruz com Leite e, roubando direitos autorais ou não, foram competentes em pagar jabá, fazer esquemas e ocupar todos os espaços. Palmas(?) pra elas que gravaram bons(?) discos, ganharam fama(?) e sucesso(?), e hoje tem cachê garantido nas nossas festas.
Mas, como é que eu vou dizer para abrir espaço para os outros artistas locais, se a produção artística aqui é tão incipiente, insípida? Qual é o grande trabalho de forró daqui? Quem gravou um grande disco ultimamente? Bem, nos últimos anos, salvo grave ignorância minha, ninguém. Ouvi boas gravações avulsas de Erivaldo e de Nino Karva cantando coco, mas um álbum delicioso de forró – como foi o Gelo na Farinha, de Mestre Zinho – isso, se existe, está bem escondido.
Aí vem outra pergunta: como pode um lugar com músicos reconhecidamente qualificados, de swing ímpar, só saber copiar o que os outros fazem? E vou mais embaixo: cadê os bons compositores de forró? Bons letristas? Bons arranjadores? Boas idéias, que fujam dessa mania de “chupar” do “sucesso do momento”. Para forró universitário, Falamansa; para forró elétrico, Aviões ou cavaleiros ou calcinha; forró tradicional, Flávio José, Adelmário. Tudo tem que seguir padrões do que vende?
Em algum lugar esse ciclo deve ser quebrado. E tem que ser na postura dos artistas. É cobrando, como bem faz nossa bandeirante Amorosa, mas mudando nossa atitude artística também, apostando mais num modo próprio de ver e fazer música, sem usar fórmulas, apenas deixando fluir, da forma mais espontânea, a sua verdade musical, para em seguida produzir seus álbuns e shows com o melhor nível de produção possível.
Mergulho mais ainda: precisamos de espontaneidade, mas precisamos de conhecimento, informação. Leitura? Certamente que ajuda. Leitura da vida mais do que tudo, leitura das coisas e pessoas e comunidades que nos cercam. Leitura bibliográfica também conta, afinal, transformar o pensamento e o sentimento em palavra, e a palavra em música, passa por uma elaboração quase culinária, com a necessidade de se ter muitas especiarias à disposição. E aí está a nascente de tudo.
A nascente de um grande trabalho artístico, que não precisará de jabás nem esquemas para ser reconhecido, passa pela aposta nos compositores, e estes em apostar na leitura da sua realidade.
Por isto tuuuudo que terminei escrevendo, gente; por isto, querida Amorosa, que apenas a canetada do executivo não resolverá de forma duradoura o problema da falta de espaço do qual reclamamos.
As mudanças para “um São João de respeito” passam também por artistas que se respeitem.
Em tempo: tenho que registrar minha decepção este final de semana com o trabalho de forró de uma grande esperança minha: Cobra-Verde. Uma sanfona maravilhosamente bem tocada acompanhada de um cantor a la Aviões, uma cantora naquele melhor estilo papel carbono e na batera uma xerox sofrível de Riquelme. Dinheiro que joguei fora, mas continuarei acreditando em dias melhores do trabalho de Cobra-Verde.
Preciso dar, entretanto, vários Vivas: Valtinho, ao próprio Cobra-Verde, Erivaldinho, Mestrinho e toda a nova geração de sanfoneiros e músicos do forró aqui em Sergipe. Que cheguem os compositores!
Viva a Casa de Forró Cariri, por onde passa a nata do forró do nordeste, e onde gasto a sola do meu tamanco.
Um Viva especial para João da Passarada, que acompanho e sou fã, desde o tempo do quebra-queixo, do coel e do picolé vitaminado da paulicéia.
Não acredito. Simplesmente não acredito. Não tem a mínima chance de ser verdade, embora, verossímil, reconheço, seja.
Parece verdadeiro, primeiro, porque uma tese reforça a outra. Se não, vejamos:
Dizemos nós urbanóides que o Cacique Serigy – como se não tivesse nada de relevante para nos legar – deixou uma praga que rogava para que nada que se fizesse por estes prados desse certo. Segundo alguns teóricos da baixa auto-estima sergipana, essa maldição nos acompanha e nos acompanhará até o fim dos tempos. E não faltarão exemplos de insucessos, onde se busca de tudo. Desde a ausência de um time de futebol na série A – nem na B, pra piorar – à ausência de uma banda que não seja a Calcinha Preta no programa de Faustão – no programa de Faustão?!?!. Nunca tivemos um presidente da república sergipano. No máximo o finado candidato Marronzinho! Não temos as praias de Alagoas – nem da Bahia. “Não tem uma porra de um ator nas novelas da Globo!!!!”. E uma miss Brasil?!?!? Um craque na seleção. Um escritor best-seller. Nenhuma celebridade! Enfim, estamos no cú do mundo… “ó céus, ó vida, ó miséria!”. Ô caciquezinho caceteiro!
Pra piorar, junta-se a esta lenda outra que fala do complexo de caranguejo do povo sergipano. Segundo essa lorota, não bastasse a “comprovada” maldição de Serigy, o sergipano tem a irremediável mania de não permitir que o outro “suba na vida”. Cita-se para solidificar tal afirmação uma analogia na qual os sergipanos são caranguejos dentro de um caldeirão em iminente ebulição, onde, em desesperada luta para fugir da morte certa, uns pisam os outros em busca de pular fora da panela. E quando um deles está prestes a fugir, o de baixo abocanha uma das suas pernas e o puxa de volta para o amontoado dos mal sucedidos da água quente.
Bem, juntar essas duas idéias é uma dose muito pesada para qualquer espasmo de auto-estima que se tenha. É a pisada que deu o elefante na cabeça do gato. Espernear mais? Pra que?
Mas, sendo eu um cara reconhecidamente teimoso, saio caminhando pela calçada da praia de Aruana, admirando aqueles restos de barracos derrubados, onde o poder público (Prefeitura, Procuradoria, Governo Estadual, Justiça…) fez o favor de dar a última cacetada nos testículos do senso de comunidade da população, deixando por um ano a praia na pior das condições, sem a mínima possibilidade de acolher qualquer cidadão que tenha o mínimo de respeito por si próprio. Um lixão. Tudo em nome do meio ambiente: meia dúzia de grauçás e umas três bribas mal nutridas.
Mas, foi lá – e aqui retorno a denunciar uma campanha para jogar nossa auto-estima pra baixo das cachorras – que vislumbrei um fantasma, que os dias haverão de apagar da minha mente. Uma imagem que há meses me persegue. Foi nessa Hiroshima que restou da Aruana, num bar denominado Botequim.com, que dei de cara com um caranguejo enorme feito de concreto – uma obra de arte – com um aviso pintado a mão em tinta óleo na sua base. Estava escrito: NÃO SUBA! A materialização perfeita daquela famigerada lenda urbana.
Pere, vamos costurar os retalhos do que falei: Serigy, complexo do caranguejo, bares ao chão, cidadãos e trabalhadores à revelia, baixa auto-estima, imobilidade social, status quo, NÃO SUBA, complexo do caranguejo, praga de Serigy. Tá bom.
Nego e renego. Não há praga de Serigy, não há complexo. Nada que não seja humano e comum a qualquer outro lugar.
Há sim imobilidade social, falta de oportunidade para as pessoas adubarem, cultivarem e porem em uso seus talentos. Isso passa pelo perfil dos pais, das escolas e das outras instituições.
Acreditar que podemos fazer é o indispensável passo inicial para fazermos e acontecermos.
Nos livremos dessa fixação por Globo, por mídia, por celebridades, pelo sucesso, e vamos reconhecer que estamos no melhor lugar do mundo pra se viver e vamos viver a nossa vida, do nosso jeito, não a vida dos outros.
Um caranguejinho com vinagrete na praia ou na croa do goré, um chopp, um suco, um sorvete, um picolé; vamos ser bons atores em casa, com os amigos; bons cantores naqueles karaokes de domingo; craques dos campos de apicum – escorrega, lá vai um - misses e deusas no Paraíso do Baixinho ou no Bar do Alves, sejamos, nós os pés-de-valsa, dancemos nossa quadrilha, façamos na nossa levada, com nosso sotaque, escrevamos cartas, bilhetes, emails de amor, sejamos escritores, poetas; sejamos nós mesmos, gozemos com a nossa própria genitália, não esperemos pra saber o que é certo na frente da tv.
Moço! Moça! Desliga a televisão, especialmente domingos à tarde. Manda Faustão tomar no cú – aquela voz chata, que não deixa o convidado falar. Pega a bicicleta e vai ver o que nós sergipanos – de fato ou de coração, brancos, pretos, mulatos, índios, ricos, pobres e remediados, analfabetos e doutores, solitária ou coletivamente - fizemos de 1855 pra cá. Onde só havia lagoas, mangues, apicuns, areais e muito mosquito, esse povo construiu Aracaju: A MAIS GOSTOSA DO BRASIL. Vocês querem mais o que?!
Teóricos da baixa auto-estima, que se rendem às bufadas teses que citei acima, por favor, peguem a mesma fila de Faustão… e vão.
ROCK SERTÃO (15 e 16 de Maio) – O governo do estado caiu fora.
Por: Henrique Teles | 2 de maio de 2009Politica cultural nada!! CULTURA POLITICAL.
Quem viu o governo ano passado estar tão presente, ficou estarrecido. Investiu pesado no festival, trouxe até Zeca Baleiro e fez o maior sassarico na mídia, dando toda a impressão que daria apoio para o ROCK SERTÃO se tornar um evento de referência para o nordeste.
A SECOM, às vésperas do evento, saiu pela porta da cozinha e pulou o muro que dá para o campinho de futebol nos fundos. Deixou um bilhete: “O mundo está em crise. (sifu!)”… pois é garotada, esperemos o São João.
Parabens à produção do ROCK SERTÃO que não se abate e que corre atrás do festival há sete edições. Continuem firmes, Binho, Crivo e cia.
Não esperem muito, se vocês não se enquadram na “cultura political”, e aprendam com aqueles sorrisos largos e tapinhas nas costas que vocês tiveram ano passado. Mas façam diferente.
O apoio ao evento era imprescindível. O governo assumiu moralmente, quando fez aquele estardalhaço na mídia, o compromisso de apoiar o ROCK SERTÃO deste ano, mesmo que fosse em menor proporção, mesmo sem um Zeca Baleiro, mesmo que perdesse a prefeitura de lá. E os meninos estão sós…
Em tempo: a Maria Scombona ficou fora da programação deste ano. Não sei por qual motivo. Talvez falta de grana mesmo; talvez a produção tenha optado em dar oportunidade a outros trabalhos daqui – que merecem – talvez pra desopilar os ouvidos do povo da Boca da Mata de tantos anos ouvindo Easy Way… Não importa. Eu também gostei, e a Maria voltará em outra edição do festival.
Vou estar presente ao evento, vou chamar meu povo pra ir junto, vou dar sorrisos largos e tapinhas nas costas dos meninos. Mas os meus serão verdadeiros.
Riiiiisca, Binho! Bota esse boi no chão!!
