Puta que pariu!!! – Preciso moderar meu vocabulário.
Voltando ao assunto: puta que pariu! Não tem como não dividir com vocês a minha indignação e, ao mesmo tempo, meu jeito de ver as coisas.
Moro no Loteamento Aruana (o antigo). Adivinhem vocês, sabendo que aqui é o lugar esquecido pelo poder público. Políticos, ah, políticos… a Aruana é um lugar estigmatizado como morada de ricos e/ou gente sem juízo – só pode – onde se encontram facilmente belos fósseis de asfalto, que aqui pavimentava ruas há cerca de 25 anos atrás. Pois adivinhem o que se faz por aqui entre uma falta de energia e outra, uma pane telefônica e outra! Digo?!
Matar muriçocas.
Eu sei, eu sei, não é exclusividade nossa. É um exótico hobby aracajuano criar esses bichinhos, desde quando a bebezinha ainda se chamava Santo Antônio do Aracaju. É moda há muito tempo, que chega com as chuvas de São José – seria ele o padroeiro dos doadores de sangue?!
Mas, não, amigos visitantes. Aqui na Aruana é diferente. Nós temos lagoas, brejos, poças, valas, piscinas abandonadas, verdadeiros latifúndios onde se cria essa especimezinha que toca aquele violino desafinado aos nossos ouvidos noite após noite. E aqui são bem criadas, facilmente confundidas com um pássaro preto por qualquer desavisado.
Vocês já pararam para analisar a cena? Olhem friamente e vejam como é bizarro uma pessoa se estapeando raivosamente, às vezes à base de xingamentos. Ao que bastava um leve tapinha para desmanchar a magricela, descemos uma verdadeira mãozada, não percebendo que, na maioria das vezes o alvo escapa ligeiro, e nós mesmos é que apanhamos. Acho que a raiva não é da muriçoca. É, talvez, ou certamente, de quem toma conta do nosso dinheiro e vive negociando as próximas eleições em vez dar um show de adminstração apenas, resolvendo problemas básicos de saneamento. O tapa seria pra eles.
Mas vamos lá, esta história nunca terá fim. Nem muriçocas, nem políticos oportunistas; ambos são de temporada mesmo, tendo as primeiras a grande vantagem de não ter sobrenome e de resolvermos nossas questões no braço.
Na falta de solução, deixo aqui em primeira mão a letra de uma música que a Maria Scombona já toca nos ensaios e que certamente estará no nosso próximo álbum.
RITO SUMÁRIO
(Henrique Teles)
Estação de auto-flagelação
Estapear-se, olhar pras as mãos
Resignar-se se ainda não há sangue
Estação de mortificação
Soturno ritual noturno diário
Rito sumário
Praguejamento, maldição
Rogativas aos céus
Sentenças de baixo-calão
E ainda
Auto-flagelação
Agressão
Sangue nas mãos
Filhos investem sobre pais
Irmãos sobre irmãos
Apocalipse de São João?
Não
Muriçocas
28 de junho de 2009 às 9:25 pm
Essa música é boa!