Não adianta, né?! É esse o nome do espaço. Salvo uma improvável imposição jurídica, tentar apagar o nome original por motivos políticos foi a reprodução de uma prática antiga, feia e pouco inteligente, pois, fazendo ouvidos de mercador, o povo abre mão do seu nome no “arraiá” e continua chamando o espaço de VILA DO FORRÓ.
Pois a VILA DO FORRÓ continua sendo um brinco, um espaço de encher os olhos dos que aqui residem e, especialmente, dos que por aqui passeiam.
Semana passada fui convidado a participar de um debate na Fundação Aperipê sobre a Cadeia Produtiva na área do forró. Fui convidado como estudioso e reclamei disto, porque não passo de um humilde vivedor nesses prados. Isto, entretanto, me dá alguma autoridade para, ainda que de forma empírica, listar bons motivos para que os doutos acadêmicos e gestores “se liguem na parada” e percebam que nós já temos – nesta área também – todos os ingredientes para se fazer um ciclo produtivo consistente, tendo a VILA DO FORRÓ como referência. Senão vejamos:
Espaço Físico? temos
Reconhecimento público dentro e fora do estado? temos
Know-how de produção? temos também
Bons artistas de forró? Digo mais de 30 sem gaguejar
Bons músicos? a migué
Bons dançadores? viiiixe, temos e muitos
Boas quadrilhas? de sobra
Público para o espaço? de ruma!
Falta o que então minha gente? Projeto e coordenação.
Se Sergipe é o país do forró, por que essa bixiga dessa música toca só no São João? Por que não temos atividades o ano inteiro? Por que não se sedimenta este perfil de gosto pelo forró e pela dança no nosso dia-a-dia e não fazemos do Forró Caju e do São João no estado inteiro o ápice dessa boa relação do sergipano com esse gênero?
Alguém tem dúvida que isto é possível? Já repararam na Casa de Forró Cariri? Por lá passa a nata do forró sergipano e nordestino. De Mestre Zinho, Enoque de Paulo Afonso, Os 3 do Nordeste, Cicinho do Recife, Zezinho do Acordeon, Pinóquio das Alagoas, aos sergipanos Cobra-Verde, Erivaldinho do Acordeon, Mestrinho (Trio Juriti), João da Passarada, Aurelino e outros. Reune-se ali músicos e um corpo de baile de primeira linha que frequentam a casa – que não é barata! – pelo simples prazer de dançar forró, dando ao mesmo tempo – e sem contrapartida de tratamento diferenciado por conta da casa – um ar de templo da dança à casa de forró, enchendo os olhos dos presentes e derramando alegria e animação para se brincar a noite inteira. Lá no Cariri é FORRÓ O ANO INTEIRO!
Acontece que O Cariri é potencial parceiro em qualquer projeto, por estar nas mãos de uma pessoa que, além de grande dançador, entende muito do assunto, mas a casa noturna não é um espaço público, nem tem obrigação de se preocupar com políticas públicas dessa amplitude. Pode, sim, ser parceiro.
Tá, mas voltando à VILA DO FORRÓ, se temos todos aqueles ingredientes que citei acima, o que impede que a VILA DO FORRÓ funcione o ano inteiro, como centro de agregação e difusão de nossa música, dança, artesanato, culinária e do próprio perfil turístico de Sergipe?
Um grande acordo pode ser costurado entre o Estado, a iniciativa privada e os artistas para que a VILA DO FORRÓ se torne um espaço permanente. Os cachês dos artistas podem ser rateados pelos lojistas, comerciantes e prestadores de serviço do espaço. Basta ao Estado, além dos serviços que já são de sua alçada, gerir a finalidade do projeto e eventualmente realizar programações de maior porte na área, para quebrar a rotina.
Isto significaria um espaço a mais para os músicos de forró e para as quadrilhas se apresentarem o ano inteiro, uma área pública para a prática da dança (que precisa ser olhada com outros olhos, pois os bons casais dançando põem os turistas em êxtase), uma solidificação do nome de Sergipe como pólo turístico realizador e exportador desses produtos e de outros - como citado: artesanato, gastronomia, etc.
Vamos lá gestores! O bom ciclo pode se iniciar com vocês!
Bem, isto digo, é pela VILA DO FORRÓ FUNCIONAR O ANO INTEIRO.