Arquivo de abril, 2010

Tava pensando…

Por: Henrique Teles    |    29 de abril de 2010

A Lei é uma grande desculpa mesmo, não é?
Se não existisse, lei tinha que ser inventada, pois nada mais adequado para perdoar os amigos, punir os inimigos e facilitar nossos propósitos ou despropósitos.
Derrubar os bares da Aruana em vez de torná-los agentes de preservação do meio ambiente e prestadores de bons serviços à comunidade, é um bom exemplo disto.
Já que o assunto voltou à tona, não custa nada lembrar: cada órgão envolvido nesse apoteótico e rigoroso cumprimento da Lei TEVE A CHANCE de agir de forma humana e socialmente responsável. Não quiseram.
Não pensaram nos frequentadores da praia, nem nos trabalhadores que ali tiravam seu ganha-pão, tampouco pensaram efetivamente na biodiversidade da área. Em momento algum vi qualquer autoridade se referir ao controle e preservação de alguma espécie daquela praia, que diga-se de passagem, é utilizada para o lazer desde que king kong era nico.
Nem pra aparecer um repórter de supetão e pedir a lista dos elementos de fauna e flora que estão sendo protegidos nessa manobra militar.
Frequento a Aruana há uns 30 anos, tempos em que os barracos eram feitos de palha de coqueiro somente.
Entenda-se agora! Tiraram os barracos da área de preservação e encheram tudo de concreto… como assim? Área de preservação? Concreto? Sim, tá lá. O projeto “ambiental” para uma área de preservação foi aterro e concreto.
Os novos espaços, ao que se diz nem terão sanitários. Garantia de água do mar mais amarelinha e quentinha, com alguns “marinheiros” à vista…
É duro ver pessoas queridas envolvidas em ambos os lados dessa mal escrita história.

Nossos golfinhos

Por: Henrique Teles    |    17 de abril de 2010

Soube ontem por intermédio do amigo Arivaldo que os golfinhos têm reaparecido estes dias no estuário do Rio Sergipe (com a maré cheia, claro) ali nas imediações do Iate Clube.
É uma boa pedida para o entardecer ou amanhecer. É só checar antes a tábua de maré (disponível na internet).

Desengasgando perguntas

Por: Henrique Teles    |    11 de abril de 2010

Não posso deixar nem de reconhecer o absurdo que os moradores estão passando, nem de tirar umas perguntinhas que arranham minha goela:

- Há quanto tempo existe o condimínio Costa do Sol?
- É difícil perceber a olho nu, que quem construiu aquele condomínio o fez sem gastar um tusta com aterro e terraplenagem, e que a área é completamente abaixo do nível da vizinhança? Quem ganhou dinheiro com aquele empreendimento?
- Houve responsabilização de quem permitiu a construção do condomínio naquelas condições? E do empresário?
- Qual o nome da empresa/empresário que construiu aquilo?
- Somente o Costa do Sol sofre com as chuvas?
- Vai ter hospedagem e casa alugada para outros cidadãos desabrigados?
- Será praxe agora em toda situação igual esses procedimentos?
- Há a mesma repercussão na imprensa e na justiça de casos semelhantes ou piores?
- O dinheiro gasto pela prefeitura é de quem mesmo?

Acho que pairam mais perguntas além destas, bem como há outros caminhos de buscar fazer justiça.

Maria Scombona Convida adiado voltará

Por: Henrique Teles    |    10 de abril de 2010

“Ói, turma, num deu pra esperá
Aduvido que isso, num faz mar, num tem importância,
Assinado em cruz porque não sei escrever”
Arnesto

São Pedro já tinha avisado que passaria com a sua caravana, mas nosso bloco já estava na rua. Diante do impasse, cedemos nós, mortais, claro.
Dia atrás de dia, voltaremos em breve para a segunda etapa do projeto.
Um fato bom: entre mil desculpas que pedia às scombonetes, Kel e Deb, que me ligaram cinicamente cantando o “Samba do Arnesto” de Adoniran Barbosa, prometi uma homenagem aos que descobriram já no Capitão Cook que não haveria mais o show. Botaram fé e foram lá embaixo de chuva mesmo. Vocês são foda!!! Terão nossa gratidão e uma modesta homenagem quando voltarmos com o show adiado. Aguardem!
De resto é mandar boas vibrações – ajuda material também – para os que estão sendo atingidos pela chuva.
E bola pra a frente.

Chico Xavier

Por: Henrique Teles    |    4 de abril de 2010

Gostei do filme.
Filosofias à parte, política religiosa também.
Sensação de entretenimento e descoberta de mais um diferente ângulo pra olhar a vida. Muito louco!
E não é obra de ficção. O cara viveu e deixou sua marca.
Assistiria novamente.

Raciocínio Estreito

Por: Henrique Teles    |    4 de abril de 2010

Seria inevitável a comparação.
Meses adiante ainda se vai medir defeitos e virtudes das duas pontes: Construtor João Alves e Jornalista Joel Silveira.
Dá lincença rapidinho pra eu falar sobre os nomes. Gosto de nomes populares para obras públicas. Aqui não temos esta tradição de o povo batizar lugares com lindos termos, como cantou Alceu em Pelas Ruas que Andei, mas prefiro nome de populares a nome de pessoas ligadas ao poder da época. Com todo respeito aos cidadãos que cederam nome às duas obras, e respeito à opinião de que “Grandes obras merecem o nome de grandes homens”, por isto mesmo, pra mim elas terão sempre os nomes de ponte Zé Peixe, construída durante o nada saudoso governo João Alves, e Ponte do Mosqueiro, recém-inaugurada.
Nunca esqueci de Trabalhadores do Metrô, uma música cantada por Xangai, composição de R.M.Santos e Walter Marques (clique aqui para ouvir), que me chamou atenção para esta história dos nomes estarem sempre ligados ao poder.
Mas, para não fugir do tema, falemos das pontes. Prometi a mim mesmo que retorno à primeira para sacramentar minha brochante impressão ao galopar o lombo da segunda, a caçula. Cá estamos nós de novo vendendo gato por lebre? Esta pergunta veio logo ao meu juízo. Pelo tanto que se falou, eu – euzinho aqui – esperava bem mais.
Certamente voltarei a comentar sobre esta superhipermegapublicitada obra, cuja badalação me remete aos nada saudosos tempos de governos passados. Tempos que pra mim já eram passado, mas não são.
A utilíssima Ponte Joel Silveira, não é apenas feia. Funcionalmente parece também ter sido feita a facão. “Desculpe o modo de te dizer”, caríssimo e respeitável administrador.
Estreita, será um possível gargalo para o crescente número de carros que comporão o desejado vai-e-vem Sergipe-Bahia.
Estreita, é potencial ponto de acidentes, na possibilidade de quebras de carros na sua descida, já que quem está subindo não sabe o que lhe espera após a lombada. Numa via de acostamento medíocre, pouco resta ao motorista para desviar e evitar um choque com quem trafega em sentido contrário.
Estreita, não tem ciclovia, traindo de forma dura os anseios de toda uma comunidade que espera mais espaços para pedalar, com mais segurança.
Não desci ainda para atravessar caminhando, mas vou fazer isto também, pois tive uma clara impressão que a passarela de pedestres acompanha a personalidade da ponte: estreita.
Com tudo isto, receio que a construção seja fruto de um raciocínio estreito sobre arquitetura, engenharia, política e publicidade. Ficaria feliz se o meu raciocínio, sim, estivesse sendo limitado; que eu estivesse estreitamente enganado, que o custo benefício justificasse o utilíssimo pontilhão que cruzei ontem, oxalá! Aí volto aqui e faço minhas ponderações obrigatoriamente.
Por enquanto, choro minha decepção por esperar uma ponte mais larga, com mais espaço para os ciclistas e pedestres.

Confesso também que ainda me incomoda o barulhinho e o tombo daquelas 30 placas que dão um desconfortável perfil polilátero à superfície da ponte. Ficou meio playmobil.
Falo disto em outra ocasião.

Saudades da maconha…

Por: Henrique Teles    |    2 de abril de 2010

Pelo visto, “A Choque” ontem teve seu acesso de saudade. Fiquei sabendo que se deram ao trabalho de cercar um grupo de ‘maconheiros’ na beira da praia para fazer uma detenção coletiva de surfistas – esperaram até a galera sair do mar óia! Levaram tudo para a delegacia: num sei quantos surfistas, 6 motos (movidas a maconha?) e umas trouxinhas da erva que não dava pra tapar o buraco do dente.
Moçada, vamo mudar, um pouco que seja, esta maluquice! Vocês sabem a história da maconha? Sabem que a bicha era liberada e usada a migué, igual a qualquer outra erva medicinal e para fins industriais? Quem puder, leia a matéria produzida por Denis Russo Burgierman e Alceu Nunes, especialmente no tocante à história da sua criminalização, e verá o quanto se manipula a opinião pública e se constrói conceitos artificialmente.
Ultimamente vinha achando que a ‘inteligência repressora’ estaria funcionando com mais sensatez e o dinheiro público sendo gasto para identificar, catar e desmantelar os distribuidores das drogas que todos sabemos são consumidas em massa e tem um poder de destruição bem maior: cocaína e crack.

‘Maconha é coisa de desocupado’. Hoje, esta frase pra mim tem um sentido maior.

* Aos repressores de plantão, aos inveterados dependentes de holofotes, informo que nunca fui usuário da ‘erva doida’, portanto não tenho a menor condição de recomendá-la para quem quer que seja. Expresso tão-somente minha modesta opinião: há um grande equívoco histórico e a maconha deve ser rediscutida sem preconceitos, moralismo, desinformação e histeria. Qualquer destes atributos inabilitam o cidadão a discutir o assunto.

Frugívoro costumaz, e saudoso de…

Por: Henrique Teles    |    2 de abril de 2010

Cambuí, ingá, cajarana, araçá, dicuri de raposa, cambucá, banana vinagre; frutas que pouco se vê…