Arquivo de maio, 2010

Juan Ramon Jiménez

Por: Henrique Teles    |    2 de maio de 2010

Pense num cabra ruim de leitura! Se não pensou, deveria ter pensado em mim. Mas vez por outra me encontro já por outros mundos, nas boas palavras de bons livros…
Fui apresentado ontem a um poeta espanhol que, dentre outras obras, escreveu PLATERO E EU. Platero é o jegue de – e com – quem fala o autor/menino em seus textos.
Reproduzo a seguir uma pequena passagem enviada à rede de funcionários do meu trabalho por Osório Sobrinho.

O POÇO

O poço!… Platero, que palavra mais funda, verde-escura, fresca, sonora! Parece que é a palavra que perfura a terra escura, girando, até chegar à água fria.
Olha; a figueira adorna e obstrui o bocal. Dentro, ao alcance da mão, entre os tijolos com limo, abriu-se uma flor azul de cheiro penetrante. Mais embaixo, uma andorinha tem seu ninho. Depois, atrás de um pórtico de sombra imóvel, há um palácio de esmeralda, e um lago, que, quando se joga uma pedra em sua quietude, se zanga
e grunhe. E, no fim, o céu.
A noite chega e a lua se inflama, lá no fundo, adornada de estrelas volúveis. Silêncio! Pêlos caminhos se foi a vida para longe. Pelo poço, a alma escapa às profundezas. Por ele vê-se como que o outro lado do crepúsculo. E parece que de sua boca vai sair o gigante da noite, dono de todos os segredos do mundo. Õ labirinto quieto e mágico, parque sombrio e fragrante, magnético salão encantado!
- Platero, se um dia eu me jogar nesse poço, não será para me matar, acredite, mas para pegar as estrelas mais depressa.
Platero zurra, sedento e ofegante. Do poço, assustada, agitada e silenciosa, sai uma andorinha.”

Antes de dormir… reflexão…

Por: Henrique Teles    |    2 de maio de 2010

Tratar com a desigualdade toma a proporção inversa da inteligência e do bom senso. Ao tratar com a igualdade utiliza-se a mesma fórmula.

Rapaz, inacreditável!
Ou a grande mídia acha que a classe média que lê suas matérias é estúpida, ou a classe média é realmente estúpida. O que é isso???
Sabemos que o grupo Globo, Abril e tal é escritório do PSDB e DEM, torcendo para que tudo dê errado no governo do “barbudinho gentalha” e de quebra forjando crises e mais crises à base de uma boa dose de mentiras. Mas ter a cara de pau de dar uma manchete medíocre dessas é descer aos sumidouros da razão.
A revista Time em verdade disse: LULA É O LIDER MAIS INFLUENTE DO PLANETA. E pronto.
Pior de tudo: o povo já percebeu tudo.

Em forma de pescoço

Por: Henrique Teles    |    1 de maio de 2010

Ou, simplesmente, coliforme.
Antes mesmo do meu desjejum da manhã de sábado, na descida da Beira Mar para a Saneamento, leio de canto de olho a manchete de um dos diários impressos da cidade pendurado entre os dedos do vendedor: PRAIAS DE ARACAJU IMPRÓPRIAS PARA BANHO, ou algo parecido. Na ligeireza de aproveitar o sinal aberto, saí meio ausente de mim, como se houvesse visto um espírito – coisa que a gente sabe que existe, mas não quer ver.
Todos nós sabemos que nosso cocô tem encontro marcado conosco na praia no final de semana. É certo. Mas fugimos desse fantasma, afinal o mal-cheiroso não aparece em “carne e osso”, restando-nos apenas o seu vulto microscópico e “em forma de pescoço”.
Já tive oportunidade de falar inúmeras vezes da falta de carinho dos órgãos públicos com nossas águas. E qualidade de vida começa pelo nosso bem mais precioso, o maior bem de todo o planeta.
No último post, falei da perseguição aos barraqueiros da Aruana. Dos despropósitos do poder público ao se debruçar sobre um problema tão irrelevante para o meio ambiente de nossa cidade. Preciosismo legal.
Chega a ser risível ver a justiça que permitiu a construção da pista por riba da mesmíssima praia, que tolera outros tantos empreendimentos em dunas, de fora a fora, colaborar com um ato de força, sobre quem não tem do que se valer. (E não me venham falar da exceção Antônio Leite).
Não bastassem as obras que em nome do progresso dão passe livre para crimes ambientais, o crime oculto do NÃO FAZER o que deveria ser feito, espalha-se invisível como os próprios coliformes.
Para que me alongar mais? Não vou. Perguntar?! Nem seria preciso.
Mas a gente se faz de besta e pergunta mesmo assim. Ora, se não se ocupam esses órgãos públicos de frivolidades jurídicas de notáveis prejuízos humanos, não sobraria tempo para (exigir) cuidarem das nossas águas, impedindo o despejo de tantos dejetos nos rios e praias?
O Ministério Público Federal funciona hoje a 200 metros de um canal a céu aberto, que despeja podridão no Rio Sergipe. Dentro de mais alguns anos o órgão passará a ter sede própria na beira da mesma valeta. Espero que possamos enxergar melhor esse tão grande mal que desnutre a nossa qualidade de vida, senão, onde vamos parar?