Ou, simplesmente, coliforme.
Antes mesmo do meu desjejum da manhã de sábado, na descida da Beira Mar para a Saneamento, leio de canto de olho a manchete de um dos diários impressos da cidade pendurado entre os dedos do vendedor: PRAIAS DE ARACAJU IMPRÓPRIAS PARA BANHO, ou algo parecido. Na ligeireza de aproveitar o sinal aberto, saí meio ausente de mim, como se houvesse visto um espírito – coisa que a gente sabe que existe, mas não quer ver.
Todos nós sabemos que nosso cocô tem encontro marcado conosco na praia no final de semana. É certo. Mas fugimos desse fantasma, afinal o mal-cheiroso não aparece em “carne e osso”, restando-nos apenas o seu vulto microscópico e “em forma de pescoço”.
Já tive oportunidade de falar inúmeras vezes da falta de carinho dos órgãos públicos com nossas águas. E qualidade de vida começa pelo nosso bem mais precioso, o maior bem de todo o planeta.
No último post, falei da perseguição aos barraqueiros da Aruana. Dos despropósitos do poder público ao se debruçar sobre um problema tão irrelevante para o meio ambiente de nossa cidade. Preciosismo legal.
Chega a ser risível ver a justiça que permitiu a construção da pista por riba da mesmíssima praia, que tolera outros tantos empreendimentos em dunas, de fora a fora, colaborar com um ato de força, sobre quem não tem do que se valer. (E não me venham falar da exceção Antônio Leite).
Não bastassem as obras que em nome do progresso dão passe livre para crimes ambientais, o crime oculto do NÃO FAZER o que deveria ser feito, espalha-se invisível como os próprios coliformes.
Para que me alongar mais? Não vou. Perguntar?! Nem seria preciso.
Mas a gente se faz de besta e pergunta mesmo assim. Ora, se não se ocupam esses órgãos públicos de frivolidades jurídicas de notáveis prejuízos humanos, não sobraria tempo para (exigir) cuidarem das nossas águas, impedindo o despejo de tantos dejetos nos rios e praias?
O Ministério Público Federal funciona hoje a 200 metros de um canal a céu aberto, que despeja podridão no Rio Sergipe. Dentro de mais alguns anos o órgão passará a ter sede própria na beira da mesma valeta. Espero que possamos enxergar melhor esse tão grande mal que desnutre a nossa qualidade de vida, senão, onde vamos parar?
Tags: aracaju, coliforme, esgoto, mpf, órgãos públicos, praias, qualidade de vida