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E você, pensa assim?! (2)

Por: Henrique Teles    |    29 de maio de 2008

… Mas os músicos preferem optar pelo contrário com estas visões mesquinhas. E talvez esteja nisto uma explicação plausível para a dificuldade de a música ‘local’ deixar de ser ’sergipana’. Se de almas como estas saem atitudes tão questionáveis com as que deixam vazar nos seus textos contra Igor Matheus, o que se esperar da música que brota da alma deles? Não será por isso que permanecem, dubiamente, intocáveis?

Extraído do Editorial “Igor Matheus e os intocáveis” escrito por Jozailto Lima do jornal Cinform de 26/05/2008.
Para melhor contextualizar, sugiro a leitura do editorial completo na versão impressa do jornal.

Procura-se um crítico musical

Por: Henrique Teles    |    18 de maio de 2008

Nada disso que passou por sua cabeça agora, se você foi – ou teve um amigo artista – alvo de agressões gratuitas . Atente a tudo! Entenda a pressa do presente e a busca do tolo por um lugar ao sol pelo caminho mais curto. Para isso, ele é preciso e é preciso pisar em algumas cabeças.

Procura-se mesmo é por um crítico musical que visite a alma do artista para entender sua obra; saiba sua história, suas quinas e cabeçadas na vida; conheça suas esquinas, quadras, ruas, bairros, cidades; saiba ler a sua idade – musical; perceba suas dores, perfumes, odores; entenda o movimento da moda na roda do tempo e do espaço; um crítico que possa posar nu também; que dê-nos sua alma à leitura.

Procura-se um crítico de palavras agridoces, que use o ácido da sua saliva para descascar nossos escudos e melindres e desça não às chagas, mas às suas nascentes, porque perebas são só o que se vê, mas não só o que se sente. Desconjunta-nos, crítico, sem receio e com a melhor das intenções. O artista é sensível o suficiente e necessário para ler o que queres de nós. Dá-nos a dor das suas impressões, mas também o bálsamo da sua esperança. Porque por onde esta não anda, tudo é cinza; e por onde pisa, faz-se côr sua pegada.

Procura-se aflitamente um crítico musical, que nos sopre com o hálito da palavra, não com o bafo do berro e do escárnio – precisamos de novos ventos.

Para o nosso bem, precisamos da desconfortável presença de alguém que seja ao menos a pedra no caminho, que nos fará tropeçar e ir adiante, mas que queira nos ver de pé.

Carta do Leitor Cinform:
Entre os rios da injúria e do escárnio, que não sei por quais cargas d’águas resolveram transbordar justo no Caderno de Cultura do Cinform, ilhado por alguns instantes permaneceu o amigo Nino Karva. Não, não foi a sua obra fonográfica o alvo da enxurrada de desdizeres – respeitaria, se fosse! – foi a pessoa de Nino. Os rios subiram, mas a tempestade tinha mais trovão que água, felizmente. O artista tem ciência da sua história e bem sabe das esquinas por onde passou. E só ele sabe.
Escrevo essa carta porque decerto me preocupa o embassamento que esses esporros acadêmico-juvenis de cunho pessoal podem trazer para a credibilidade de um jornal, que na área cultural tem um papel de grande ressonância e contribuição para a comunidade.
O rapaz escreve bem – até funde a ferro e fogo mangaba com giló – mas ainda falta substância para chegar na boa alquimia. Não é assim na marra que se junta Chiclete com Banana. Observe Jackson do Pandeiro e Almira Castilho.
A cultura de polemizar, para alguns, nem que seja no vazio, vale pelo ibope. Mas o que mede mesmo o ibope?
Não obstante o anacronismo de se avaliar com nota uma obra artística, Igor teve a triste idéia de escolher um disco – ou terá sido o artista? – lançado a vários anos. Certamente o moleque ainda era menino àquela época, nos induzindo a desconfiar de uma certa falta de noção a respeito do contexto da produção fonográfica no estado quando da gravação do referido álbum e nos dias atuais. É bom que se diga que existem discos mais recentes à disposição.
Acho que vale as perguntas: a gente precisa disso? Precisamos fazer dessa forma? Em que isso contribui para produzimos melhor?
Como parceiro do Cinform em vários projetos, tenho certeza que aquele espaço de meia-página pode fazer muito mais; pode ter muito mais significado para nossa cultura que a injúria e o escárnio contidos na crítica de Igor.
Não estou, entretanto, pedindo a cabeça do rapaz. Espero em breve – quiçá – uma fundamentada e contributiva crítica aos álbuns da Maria Scombona. Ainda que na crítica haja crítica.
“Talvez por ignorância ou maldade das pior” ele não tenha se saído tão bem nessa.