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Raciocínio Estreito

Por: Henrique Teles    |    4 de abril de 2010

Seria inevitável a comparação.
Meses adiante ainda se vai medir defeitos e virtudes das duas pontes: Construtor João Alves e Jornalista Joel Silveira.
Dá lincença rapidinho pra eu falar sobre os nomes. Gosto de nomes populares para obras públicas. Aqui não temos esta tradição de o povo batizar lugares com lindos termos, como cantou Alceu em Pelas Ruas que Andei, mas prefiro nome de populares a nome de pessoas ligadas ao poder da época. Com todo respeito aos cidadãos que cederam nome às duas obras, e respeito à opinião de que “Grandes obras merecem o nome de grandes homens”, por isto mesmo, pra mim elas terão sempre os nomes de ponte Zé Peixe, construída durante o nada saudoso governo João Alves, e Ponte do Mosqueiro, recém-inaugurada.
Nunca esqueci de Trabalhadores do Metrô, uma música cantada por Xangai, composição de R.M.Santos e Walter Marques (clique aqui para ouvir), que me chamou atenção para esta história dos nomes estarem sempre ligados ao poder.
Mas, para não fugir do tema, falemos das pontes. Prometi a mim mesmo que retorno à primeira para sacramentar minha brochante impressão ao galopar o lombo da segunda, a caçula. Cá estamos nós de novo vendendo gato por lebre? Esta pergunta veio logo ao meu juízo. Pelo tanto que se falou, eu – euzinho aqui – esperava bem mais.
Certamente voltarei a comentar sobre esta superhipermegapublicitada obra, cuja badalação me remete aos nada saudosos tempos de governos passados. Tempos que pra mim já eram passado, mas não são.
A utilíssima Ponte Joel Silveira, não é apenas feia. Funcionalmente parece também ter sido feita a facão. “Desculpe o modo de te dizer”, caríssimo e respeitável administrador.
Estreita, será um possível gargalo para o crescente número de carros que comporão o desejado vai-e-vem Sergipe-Bahia.
Estreita, é potencial ponto de acidentes, na possibilidade de quebras de carros na sua descida, já que quem está subindo não sabe o que lhe espera após a lombada. Numa via de acostamento medíocre, pouco resta ao motorista para desviar e evitar um choque com quem trafega em sentido contrário.
Estreita, não tem ciclovia, traindo de forma dura os anseios de toda uma comunidade que espera mais espaços para pedalar, com mais segurança.
Não desci ainda para atravessar caminhando, mas vou fazer isto também, pois tive uma clara impressão que a passarela de pedestres acompanha a personalidade da ponte: estreita.
Com tudo isto, receio que a construção seja fruto de um raciocínio estreito sobre arquitetura, engenharia, política e publicidade. Ficaria feliz se o meu raciocínio, sim, estivesse sendo limitado; que eu estivesse estreitamente enganado, que o custo benefício justificasse o utilíssimo pontilhão que cruzei ontem, oxalá! Aí volto aqui e faço minhas ponderações obrigatoriamente.
Por enquanto, choro minha decepção por esperar uma ponte mais larga, com mais espaço para os ciclistas e pedestres.

Confesso também que ainda me incomoda o barulhinho e o tombo daquelas 30 placas que dão um desconfortável perfil polilátero à superfície da ponte. Ficou meio playmobil.
Falo disto em outra ocasião.